A disputa pela possível candidatura do PMDB ao cargo de prefeito em Bauru tem no comandante da legenda, Orestes Quércia, um “voto” em favor do vereador Rodrigo Agostinho. O presidente estadual do partido e ex-governador de São Paulo defendeu ontem que a melhor opção é o nome do vereador Rodrigo Agostinho e pediu para o próprio presidente municipal da sigla, Alex Gasparini, que decline em favor do colega.
Vereador e ex-secretário municipal de Meio Ambiente, Agostinho lançou seu nome no dia 26 de fevereiro passado à disputa, mas adiantou que ninguém fala por ele na negociação. Alex Gasparini não gostou do recado e decidiu, em meados de março, manifestar que também quer ser o pré-candidato.
Ontem à tarde, Quércia e Alex Gasparini tiveram um encontro no escritório político do ex-governador, em São Paulo. Assim que o encontro terminou, o JC falou com o presidente estadual do partido. Embora tenha ressaltado que a decisão sobre a candidatura a prefeito cabe ao diretório municipal, Quércia mostrou claramente o apoio a Agostinho. “Eu fiz um apelo ao Gasparini para que lance o Rodrigo que é quem está bem nas pesquisas e que tem condições de disputar a prefeitura”, disse.
“O diretório estadual tem interesse na candidatura do Rodrigo”, ratificou o cacique peemedebista. Perguntado sobre uma possível intervenção em Bauru, Quércia afirmou: “acredito que a intervenção acabei de fazer hoje; falei com ele (Gasparini) e maior intervenção que essa não pode ser feita”.
Segundo o ex-governador, o presidente do diretório municipal acatou o apelo. “O Alex vacilou um pouquinho, mas acabou entendendo minha posição”, relatou. “Agora, vou saber o comportamento dele quando começar a agir”, emendou. No fundo, todos do PMDB sabem que Alex não reúne indicadores de potencial de voto nas ruas capaz emplacar seu nome acima de Agostinho na disputa local. Mas como ele comanda a legenda, a divergência virou impasse interno.
Alex Gasparini contemporizou sobre o apelo de Quércia. Disse que no encontro de ontem a ordem foi que deve haver conciliação para a manutenção da unidade do PMDB. Negou que tenha abdicado de sua pré-candidatura e espera resolver o impasse antes da convenção. “É preciso respeitar a vontade do partido em Bauru, que vai definir o candidato a prefeito”, comentou o ex-vereador.
Gasparini negou também que sua pré-candidatura seja um “balão de ensaio” para atrair outros partidos e forçar coligações. O que será difícil é manter a chama de uma pré-candidatura que não está nas ruas, mas serve a alimentar apenas a fogueira interna no PMDB bauruense.