Geral

Até quem é magro pode ter alta taxa de gordura corporal

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A empresária Deise Vitti Cincoto, 33 anos, vive de bem com o espelho. Mãe de dois filhos, beleza não lhe falta, pelo contrário. Para cultivá-la, cuidados com alimentação e exercício físico. Apesar do corpo “em ordem”, ela ainda não atingiu o padrão adequado de gordura corporal. Falta pouco. Não é o caso de muitas outras pessoas que, pasmem, também são magras. Muita gordura corporal é um problema que afeta 62% das pessoas com peso normal, segundo estudo norte-americano.

Pesquisadores da Clínica Mayo, nos EUA, divulgaram um conceito que pode minar a alegria inclusive de quem mantém boa relação com a balança: a “obesidade do peso normal”. Segundo matéria da Folha de São Paulo, o termo foi criado após um estudo no qual foram avaliadas 2.127 pessoas com índice de massa corporal (IMC) considerado adequado. O IMC é um dos métodos mais populares no que se refere à obesidade.

No entanto, ele não distingue a massa muscular da gordura. “A massa magra é constituída pelos ossos e pelos músculos. A gorda, por tecido adiposo, frouxo”, explica a endocrinologista Cibele Cabogrosso. De acordo com ela, normalmente, quem tem mais massa gorda perdeu peso com dieta não acompanhada por exercícios físicos adequados.

“O IMC não é o único método. Ele é importante para avaliar o obeso do sobrepeso. Acima do peso a pessoa pode ter tendência a doenças como diabetes, colesterol”, explica. Mas os “obesos do peso normal” correm os mesmos riscos, segundo o estudo. Os cientistas descobriram que, mesmo de bem com a balança, quem tem excesso de gordura corporal está mais vulnerável a doenças tipicamente associadas à obesidade.

Neste caso, a pessoa tem 2,5 vezes mais chances de desenvolver síndrome metabólica do que quem não tem o problema. O risco de anormalidade no nível de colesterol ou de marcadores de risco cardiovascular, como alto índice de triglicérides, é aproximadamente duas vezes maior. Para identificar o problema, o interessado pode recorrer ao exame conhecido por bioempendance.

No Brasil, não há dados referentes ao “obeso do peso normal”. Segundo a Folha de São Paulo, sabe-se que 43% da população está acima do peso (com IMC superior a 25), segundo o Mapa da Saúde do Brasileiro, divulgado neste ano pelo Ministério da Saúde e pela Universidade de São Paulo (USP). O problema atinge principalmente homens: 12,9% têm obesidade - o que, no país, é definido como um IMC superior a 30.

Segundo Cabogrosso, é considerado saudável o índice de massa corporal dos 18 a 25. Dos 25 aos 30, sobrepeso. Dos 30 aos 40, obesidade. Acima disso, obesidade mórbida.

____________________

Só as treinadas

Só as mulheres muito bem treinadas, com a musculatura definida, chegam ao percentual adequado de gordura corporal, segundo o personal trainer Rafael Pelegrina Pieroni. As outras, mesmo adeptas ao exercício físico, normalmente estão um pouco acima dos valores de parâmetro.

“Sem fazer nenhuma avaliação, sem analisar a composição corporal, parece estar tudo bem. Mas quando se verifica, percebe a distribuição da porcentagem. Isso é comum. São as falsas magras. A composição delas não está adequada, segundo o modelo de saúde preestabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, explica ele.

De acordo com o personal, o problema atinge principalmente as mulheres. “Dificilmente ela tem a porcentagem adequada de gordura. Tem muita desvantagem em relação ao homem. Mas estar de bem com o espelho já é um bom sinal”, pondera.

Comentários

Comentários