Buenos Aires dispensa comentários. Mendoza, com seus parreirais e vinícolas, idem. A neve e suas vilas aconchegantes continuam fazendo de Bariloche um eterno apelo quando a temperatura cai. E a Patagônia, Ushuaia e a Terra do Fogo são “o fim do mundo” que todos gostariam de conhecer.
Mas fora esses destinos, há muito mais para ser visto e sentido no solo configurado entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Atlântico, envolvendo um circuito completo que passa por montanhas, imensos campos, corredores históricos e culturais, igrejas seculares e roteiros de aventura.
Exemplos? A Província de Jujuy, lugar perfeito, rico em história e turismo rural, um museu a céu aberto que recebe muito bem os visitantes e onde não falta, claro, a típica gastronomia argentina, incluindo o locro, uma espécie de sopa. Além das empanadas, para começar bem pela manhã, com massa crocante, em formato de meia lua, com carne picadinha, cebola e um aroma que exala de longe, chamando ao aconchego junto ao forno.
As cidades do Norte argentino são peculiares. Lugares para quem não tem pressa e quer desfrutar do ritmo lento de localidades que preservam costumes ancestrais em carnavais animados e em silenciosas oferendas à Mãe Terra.
Cenários para fervorosos caminhantes, amantes dos esportes náuticos, contempladores da natureza e gourmets à procura da sedução dos fortes sabores da cozinha étnica.
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Trem das Nuvens
Salta, a Noroeste, cercada de montanhas e igrejas, é outro lugar especial para quem viaja a passeio pela Argentina e quer conhecer roteiros não tão convencionais. A província testemunhou a luta pela Independência e ainda brinda os turistas com um dos melhores vinhos de altitude do planeta, fruto das uvas cultivadas na região mais alta do mundo.
Isso sem falar nas viagens no Trem das Alturas, conhecido como Tren de las Nuvens, uma forma original do turista conhecer a região por via férrea, com os Andes como testemunha.
Dizem os turistas que andar no trem é “tocar o céu com as mãos”. Quinze horas inesquecíveis nas quais a vida transcorre sobre trilhos, separam a velha estação de Salta “La linda” e o imponente viaduto La Polvorilla, a quase 4.200 metros de altura sobre o nível do mar.
Com um traçado que não poupa pontes, túneis, ziguezagues e anéis, em seu percurso o trem abraça desde férteis paisagens – aquele do Valle de Lerma, salpicado de multicores e cheirosos cultivos – até inóspitas e misteriosas paragens da Puna.
Na estação de Salta, o apito anunciando a partida soa cada sábado às 7h em ponto.