Turismo

Clima de deserto e gente acolhedora

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Surpresas no Norte ainda estão associadas à Santa Maria (Província de Catamarca), que tem paisagem meio desértica cercada de montanhas multicoloridas, um convite permanente à aventura e ao entretenimento dos esportes radicais; a Tucumán, também testemunha das lutas pela Independência, e a Santiago del Estero, que encanta com seu artesanato peculiar, feito principalmente a partir da madeira.

Em todas as províncias, há termas incríveis. Em Jujuy, Termas de Reyes; em Salta, El Sauce e Rosario de la Frontera; em Tucumán, Taco Ralo; em Catamarca, Fiambalá e La Aguadita. Centros especiais para quem procura melhoria da saúde. A estrela da região é o rio Hondo, localizado sobre 14 camadas mesotermais, com águas que emergem a temperaturas que oscilam em torno dos 37,5ºC.

Ficam a menos de uma hora de carro de Santiago del Esterno, a Capital mais antiga do País. Cidade cercada por ipês rosas em flor, belos casarões, igrejas coloniais e claustros que guardam documentos históricos e valiosas expressões artísticas.

O Norte reserva lugares onde a pesca esportiva é também um eterno desfrute, o convívio harmonioso com a população é enriquecedor e que reúnem uma infinidade de termas perfeitas para o relax, convite permanente para novas temporadas de férias.

São muitas as oportunidades oferecidas pela Província de Catamarca, dona de cenários perfeitos para montanhismo, cavalgadas, expedições de 4x4, parapente e safáris fotográficos – com possibilidade de se avistar desde vicunhas até condores – por conta da altitude.

Catamarca reserva, ainda, montanhas nevadas do Aconquija e a magnificência do vulcão Gálan – com a maior cratera do mundo – e empreendimentos mineiros de nível internacional.

O encanto da Cuesta del Portezulo e os milenários segredos incas são outras atrações de Catamarca, que ainda oferece tecelagens multicoloridas tecidas por artesãs das cidades de Belén, Santa Maria e Londres.

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Salinas e pimentas

O Norte argentino, literalmente, é uma pintura mesclada. Uma mistura multicolorida que envolve cores fortes como o vermelho, o marrom e o verde e nuanças claras, com predominância do azul celeste e do branco. A imensidão branca se faz presente nas salinas existentes na região, com destaque para a Salinas Grandes, em Jujuy, que precisa de um olhar atento.

Centenárias adegas, campos de secagem de pimentas, lá chamados de “pimentões”, imensos cactos, casas de adobe com telhas pequenas e cal e silhuetas de lhamas, guanacos e alpacas num jogo eletrizante de esconde-esconde nas montanhas, são apenas uma pequena amostra do que o Norte reserva aos visitantes.

Que passa, ainda, por festas religiosas e pagãs que são motivo para coloridos encontros ao pé das serras: Natal, Dia de Todos os Santos, o da Virgem da Candelária ou da Assúncion, os carnavais, a homenagem à Pachamama (Mãe Terra), os encontros de cantores de “coplas”.

Como parte dos rituais, nas ruazinhas de cada aldeia ganham lugar a música e a dança; as de cores imensas, ponchos recém-saídos de rústicos teares, chapéus de abas; missas, procissões e cenas menos comuns como a reunião de coroas de manjericão e cavalgadas. Sempre com a presença de barraquinhas que vendem as delícias da gastronomia local: pastéis, empanadas, locro, “tamales” e “chicha”.

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De Bauru a Salta

A viagem aérea para quem quer conhecer essa nova faceta argentina é feita através da companhia aérea Aerosur, via Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. O retorno pode ser via TAM, com decolagem em Córdoba (Centro da Argentina).

Mas também é possível, para quem tem espírito de aventura e muitos dias para rodar, atingi-la por rodovia. Alguns grupos de Bauru e da região já testemunham suas belezas, incluindo a família Estevam (José Maria e filhos).

Há alguns meses, os Estevam relataram um dos trechos da aventura em 4x4 entre o Brasil e o Chile, quando passaram pelo Norte argentino. “Depois de pernoitarmos em Monte Quemado, no Hotel Comedor, único da cidade (a meta era em Joaquim, González), prosseguimos rumo a Salta, por excelente estrada.”

A família viajou entre janeiro e fevereiro, durante o verão argentino, mas mesmo assim, em alguns dias, por conta da proximidade com a Cordilheira, passaram frio à noite quando as temperaturas variaram de 0 a 11 graus centígrados.

“Nesse trecho fomos acompanhados por inúmeras borboletas pretas e amarelas que tornaram nossa viagem mais intrigante. Depois de Salta, circulamos mais aproximadamente 24 quilômetros até Campo Quijano para, depois. Pela Rota 51 tentarmos chegar a San Antonio de los Cobres, passando por um aclive acentuado de pista de rípio e inúmeras quedas de pedras e barreiras, mas com uma vista linda do vale por onde circula o famoso “Tren de las Nubes”.

A região é cercada por cactos imensos, com mais de seis metros de altura que escolheram a altitude – mais de 3.064 metros acima do nível do mar - como seu habitat .

“Salta tem povo acolhedor, fabrica um saboroso refrigerante de pomelo e oferece entre outros atrativos comércio em suas ruas centrais, o bondinho do Cerro San Bernardo e o Museu de Antropologia Dr. Juan Martín Lequizamón, riquíssimo em objetos pertencentes a culturas que habitaram ou habitam ainda o noroeste argentino (destaque para um corpo conservado em local de baixíssima temperatura – não mumificado – testemunho da ocupação humana na região em tempos remotos – entre 11.000 a.C. até 2.500 a.C).

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