Com a crescente conscientização quanto à importância de manter uma alimentação saudável, até mesmo a feijoada, prato conhecido pelo seu sabor inigualável - mas também por agregar incontáveis calorias - sucumbiu. Atualmente, são muitas as formas de prepará-la, sendo que algumas dispensam os tradicionais pés, orelhas e couro de porco.
Esta tendência se confirma no restaurante de José Alcântara Marangon Junior. “A maioria das pessoas não gosta de feijoada gorda, com pele de porco, e prefere uma versão mais magra. Nós também oferecemos a feijoada tradicional, que é bem menos consumida”, comenta.
A nutricionista da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, Suely Prieto de Barros, explica que a feijoada costuma ser mais calórica que os demais alimentos justamente pela utilização excessiva dos derivados de carnes suínas. Para tornar o prato um pouco mais magro, ela ensina que os ingredientes devem passar por fervura prévia para retirar o excesso de gordura.
“Depois disso, é interessante fritar rapidamente as carnes com óleo de oliva, que é uma gordura insaturada e contém Ômega 9. Também é bom evitar pele, orelha e rabo de porco e dar preferência para as lingüiças e peças frescas, como o patinho ou acém, em substituição à carne seca”, orienta. “E, para minimizar o efeito das gorduras saturadas no organismo, é bom acrescentar bastante alho, cebola e ervas frescas, como salsinha e cebolinha”, diz.
Mesmo que a feijoada seja transformada em um prato mais magro, Suely recomenda que o consumo seja esporádico e acompanhado de laranja e couve cozida no vapor, por exemplo, que são excelentes digestivos. Ainda segundo a nutricionista, no dia seguinte ao ‘banquete’, é importante priorizar o consumo de chás verdes, frutas e verduras para reequilibrar o organismo.
História
De acordo com a explicação mais difundida sobre sua origem, a feijoada surgiu através dos escravos africanos, que tinham sua alimentação restrita a uma pequena variação de itens e se utilizavam de muita criatividade para diversificar o sabor do que preparavam na cozinha.
Na época da escravidão. os senhores de escravos não comiam as partes menos nobres do porco, como orelhas, rabos e pés. Assim, os escravos resolveram utilizar essas partes rejeitadas, juntando-as com o feijão, água, sal e pimentas diversas, tudo dentro de um mesmo recipiente.
Ainda segundo esta versão, ao longo do tempo, a feijoada também teria sofrido influência dos costumes alimentares europeus, se transformando no que hoje é um dos principais símbolos da culinária nacional.
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Fala-povo
Você costuma consumir feijoada em época de frio?
“Sim, mas neste ano ainda não comi. Costumo reunir toda a família, mas estou esperando esfriar mais. ” Robson José Cândido, 39 anos, autônomo
“Como só de vez em quando. Amanhã (hoje) vou preparar uma dobradinha. Vou fazer a feijoada só quando estiver um pouco mais frio.” Wanda Yvone Oliveira Barbosa, 57 anos, dona de casa
“Sempre, minha mãe faz porque sabe que meus irmãos e eu gostamos. Então, todo mês vamos almoçar na casa dela por causa da feijoada.” Fernando Augusto Soares de Alencar, 24 anos, assistente de hortifruti