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Efeitos vão além do estresse

Folhapress
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Além de fomentar o aumento da violência, a equação trânsito/estresse pode ser o gatilho de distúrbios variados. O mestre-de-obras Gilberto Alves, 56, não tem dúvidas sobre a causa de seu diabetes, diagnosticado há alguns anos. “É o trânsito da cidade que está acabando com a minha saúde.”

Apesar de o diabetes ser uma doença multifatorial, Gilberto diz que o médico avaliou que a origem de seu problema foi o estresse emocional. E, para Gilberto, estresse é igual a trânsito. Ele também se queixa de dores na coluna e cãibras na perna. Diz não ter tempo nem ânimo para praticar uma atividade física e só pensa na hora em que poderá se mudar.

As dores nas costas e nas pernas de Gilberto são outros efeitos comuns do trânsito. Além do fato de o motorista ficar sentado por muito tempo, os movimentos repetitivos causam fadiga muscular e desgaste das articulações. Quem não dispõe de direção hidráulica corre mais risco de ter problemas na coluna.

“A direção mecânica gera um esforço muito grande e pode causar danos às regiões lombar e cervical da coluna, além de afetar ombros e braços”, diz Dirceu Rodrigues Alves Jr., chefe do departamento de medicina ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).

A direção hidráulica, que exige menos dos músculos, pode ajudar, mas não evita todos os problemas. “Os movimentos repetitivos para mudar de marcha, por exemplo, podem causar lesões tendinosas nos punhos, nos cotovelos e até nos ombros”, explica.

Nos membros inferiores, os movimentos de frear, acelerar e pressionar a embreagem podem desgastar as articulações dos tornozelos. Nessa área do corpo, porém, os efeitos mais notáveis são os problemas circulatórios. “As pernas podem inchar, ficar doloridas. A posição também piora os efeitos das varizes”, diz Walter Campos Jr., angiologista e cirurgião vascular do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP) e do Instituto H. Ellis, de São Paulo.

A utilização de meias elásticas atenua o problema. Procurar sair do carro e movimentar as pernas também é recomendado, especialmente quando a perspectiva é ficar muito tempo parado. Campos Jr. lembra que ficar sentado com as pernas encolhidas por mais de cinco horas é arriscado. “Em algumas pessoas, pode até levar à trombose venosa profunda”, diz.

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