Geral

Número de bebês gera suspeita de intermediação

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A pouca quantidade de recém-nascidos disponíveis para adoção em Bauru reforça a suspeita de que exista intermediação de bebês na cidade. Nem mesmo o juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, descarta a possibilidade.

“Deve ter muita gente dando parto alheio como próprio. Só na Maternidade Santa Izabel são 400 partos por mês e não sobra criança. Alguns dão preferência a burlar a lei, correr todos os riscos para adotar. Parto alheio como próprio é crime, dá pena severa”, diz o magistrado.

Pensamentos de lançar mão de uma estratégia ilícita para ter seu próprio filho passaram várias vezes pela cabeça de uma entrevistada do JC, que pediu para ter o nome preservado. Há dois anos ela aguarda na fila da adoção. Só foi demovida da idéia porque engravidou recentemente. “Médicos conhecidos já me ofereceram”, comenta. A venda de um bebê também lhe foi proposta, admite.

“Ainda há favorecimento”, garante. Um promotor de uma cidade da região garantiu que olharia seu caso com “carinho” por conhecê-la. “Estava desesperada, a ponto de aceitar qualquer coisa. Era a falta de perspectiva. Não estranho a demora porque espero uma criança branca de até 12 meses”, comenta. Assim como ela e o marido, outros 141 casais fizeram a mesma opção, segundo dados do Fórum de Bauru.

“A exigência dos pais dificulta, mas essa fila é virtual. O pessoal manda cadastro para fora. Quando entra uma criança, às vezes pula dez casais”, comenta Maintinguer. Alguns já adotaram. Outros alegam separação ou desemprego, por exemplo. “Essa fila parece grande, mas não é. Acho que com o cadastro nacional vai ser mais rápido. Os casais tiravam habilitação aqui e distribuíam no Paraná, Santa Catarina e conseguiam (a adoção) mais rápido fora do Estado”, comenta o juiz.

De acordo com ele, os candidatos faziam isso porque em São Paulo existe uma norma que obriga os interessados a se inscrever no seu próprio domicílio, o que não acontece em outros Estados.

Comentários

Comentários