Política

Caio e Clemente podem se unir hoje

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A decisão entre PSDB e DEM em torno de uma coligação para as eleições municipais de outubro deste ano depende de um encontro com a cúpula tucana hoje e talvez apenas da eliminação de certa resistência que ainda persiste em relação à presença de um aliado de Tuga Angerami na chapa, através de José Clemente Rezende, que abre mão de sua candidatura para ser vice de Caio.

Mas como em eleição somar fala mais alto que resistir, o tempo de TV dos demistas, a ajuda na estrutura de campanha e a atração de um adversário que poderia dividir votos exatamente com Caio nas classes A e B tendem a colaborar para que PSDB e DEM repitam em Bauru a aliança estadual que acompanha as legendas há vários anos.

A proximidade por um acordo e a ampliação no número de conversas se intensificaram a tal ponto que o prefeitável Caio Coube se irritou ao perceber que não foi possível manter “segredo” sobre o encontro de ontem à tarde, em seu escritório, entre as partes.

O presidente municipal do PSDB, Gilson Rodrigues, o próprio Caio, Clemente Rezende e Dudu Ranieri, presidente do DEM, repetiram a mesma pauta dos últimos dias: em que bases é possível estabelecer aliança para disputar a prefeitura. No início da noite, em visita ao Jardim Carolina, Clemente tentava esconder os termos da conversa, mas não sem pontuar que “está abrindo mão da candidatura em nome de um projeto que garanta governabilidade à cidade”.

O PSDB quer o DEM, e no encontro de hoje, com as presenças do deputado estadual Pedro Tobias e do sub-secretário da Casa Civil, Rubens Cury, o que faltaria conversar é até que ponto a aproximação com Clemente traria prejuízos por colagem, ainda que indireta, ao governo Tuga. Outro ponto é calcular qual é o nível de rejeição junto ao nome de Clemente nas ruas.

A verdade é que o prato principal da conversa de cerca de 50 minutos ontem, em um dos escritórios de Coube, foi em cima apenas da aliança com o DEM. Os efeitos colaterais serão avaliados pelos tucanos hoje. Os demistas topam acertar com os tucanos e Clemente já dá mais do que sinais de que aceita ser vice na chapa de Caio.

E com a confirmação da união da pré-candidatura de Rodrigo Agostinho pelo PMDB com o PSB e PC do B (leia na págian 4), o DEM perdeu de vez os elementos de sua fórmula eleitoral preferida, esvaziando de vez a decantada aliança DEM-PMDB.

Sobre o encontro de ontem, o discurso de Dudu foi no sentido mais para o aval à combinação com os tucanos do que em outro sentido. Caio Coube não quis comentar o encontro com os demistas e ainda não gostou do “vazamento” do encontro. Limitou-se a dizer que o processo está caminhando bem e que a aliança está em construção.

Amarrações

E se a escolha das “cabeças” caminhou, falta agora o restante dos membros na árvore de alianças postas em discussão na eleição municipal. O PP de Carlos Braga, por exemplo, continua próximo dos tucanos, mas ainda está sendo atiçado, assim como o PT, a ir para a Frente que vai apoiar Rodrigo.

Neste tabuleiro, caberá ao PV agora decidir se caminha com bandeira própria com Clodoaldo Gazzetta, se aceita ingressar na combinação PSDB-DEM, mas sem indicar o vice, ou retoma acordo discutido com o PTB. Antonio Carlos Garmes sempre deixou escapar que Gazzetta lhe agrada muito como vice.

O PPS já tinha indicado que acompanharia os tucanos e o PR de Fernando Monti pode ir para a frente pró-Agostinho se o PT for junto. Com as conversas de ontem, dois blocos parecem se alinhar como forças bem amarradas no processo local, tendo Caio e Rodrigo já lançados e Rosa Izzo colocada pelo PDT, de outro lado, para tentar se contrapor a tucanos e peemedebistas em busca do eleitorado que tem grande número de votos nas urnas, as classes D e E.

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