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Polêmico, parto domiciliar volta à cena

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A atriz Angelina Jolie, 32 anos, quer dar à luz seus gêmeos em casa. A idéia é levar uma equipe médica à mansão que ela e o ator Brad Pitt compraram na Riviera Francesa. O que parece ser uma corriqueira notícia de sites de fofoca figura como nova tendência no Brasil. Em meio à polêmica, o parto domiciliar está de volta. A humanização do nascimento e a eventual irresponsabilidade de mães e médicos permeiam a discussão.

Para a ginecologista e obstetra Carla Daher, o parto acontece melhor no ambiente da mulher. Além de acompanhar suas pacientes em casa até o nascimento do bebê, ela própria teve seu segundo filho no aconchego do lar. “A idéia é que a mulher protagonize o momento de seu parto. É permitir que ela seja dona da situação. É tratar aquele indivíduo como único, com todas as suas particularidades”, comenta.

A humanização do parto também é defendida pelo conselheiro do Conselho Regional de Medicina (CRM) Carlos Alberto Monte Gobbo. Mas para ele, o processo deve ser desenvolvido dentro do ambiente hospitalar. “Acho que isso é negar a evolução de tudo o que a medicina conquistou. Se tem uma coisa que a medicina avançou muito é na assistência ao parto”, afirma.

Compartilha do mesmo pensamento o diretor clínico da Maternidade Santa Isabel, Sérgio Henrique Antônio, que também trabalha para humanizar mais os partos na maternidade. Na opinião dele, longe dos centros especializados, a gestante trabalha com a sorte.

“Existem algumas patologias que, mesmo em ambiente hospitalar, é possível perder a criança e a mãe. Imagine numa complicação em que eles não estejam num centro especializado? Até chegar ao hospital, nesse espaço de tempo corre-se o risco de perdê-los”, diz.

Sinais

Daher tem outro ponto de vista. Ela ressalta que o parto é um processo que chega a durar até 24 horas. “A complicação não ocorre subitamente. O parto dá sinais de que não vai bem. Se alguma coisa não caminha de forma natural, vamos para o hospital porque alguma coisa está errada, precisa de uma interferência. A cesárea deve ser feita, mas quando há necessidade”, pondera.

O problema, avalia a obstetra, é que, na loucura dos convênios, os médicos não acompanham integralmente suas pacientes. Normalmente, quando entram em trabalho de parto elas são acompanhadas por plantonista ou enfermeiro, diz. “Quando acham que vai nascer ou que alguma coisa está errada, ligam para o médico delas. Até chegar, já complicou. O problema é que as pessoas querem ganhar muito dinheiro”, acrescenta Daher.

Por mês, ela faz entre três e cinco partos. “Eu conheço obstetras que marcam seis cesáreas numa mesma manhã. Se o médico reclama que ganha uma merreca (sic), tem que fazer porque realmente gosta ou faz como eu, não trabalha por convênio. A mulher me paga para ficar até 24 horas com ela e isso tem que ter um valor”, admite a médica, que já atendeu pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mas deixou a assistência por ser mãe de um bebê e estar grávida novamente.

O parto normal na presença médica também é defendido pelo diretor clínico do Hospital Unimed Bauru, João Paulo Issa, ginecologista e obstetra. Para ele, no entanto, a grande quantidade de cesáreas só entrará em curva decrescente quando houver conscientização. “Após a conscientização social, tem que haver a dos hospitais, médicos e enfermagem. Tem que humanizar, mas dentro dos hospitais, com assistência médica e educação prévia”, acrescenta.

Neste processo, ele inclui a atuação das doulas que, trabalhando junto ao serviço de médico da família, podem fazer as gestantes chegarem ao hospital propensas ao parto normal.

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