Ano passado me perguntaram o porquê nesta época não havia escrito nada sobre minha mãe. Não me lembrando o que respondi, e como nessa época só se fala em Dia das Mães devido à comemoração, que em meu ver deveria ser diária, parei para pensar e lembrar por que não havia escrito nada sobre minha saudosa mãe. E divagando penso: Já falei tudo sobre ela... já chorei creio que tudo o que tinha de chorar, gritei em seu leito hospitalar há quatro anos (no dia 15 deste mês, marca os 4 anos de sua partida) “não se entregue, mãe, não se entregue. Minha mãe amava a vida.
Sobre a morte, em minha casa não se falava, nem se cogitava. Já ouvi os médicos da época em que minha querida mãe esteve enferma se reunirem e me dizerem: “Miguel, é você quem segura sua mãe, o sofrimento da dona Emilia”. Até livro escrevi para minha mãe. Fui em todas as igrejas, centros, novenas, templos, religiões pedindo a vida de minha mãe, e não consegui. Então, nessa época fica a imensa saudade, por não te ver mais, nunca mais te vi... só em lindos sonhos, mas materialmente nunca mais. Ah, a morte, que pena... Mas, hoje estou bem, seguindo minha vida, estou feliz, sentindo sua presença carinhosa e lembrando-me de você todos os dias. Mãe amiga, conselheira, que nos levava embaixo das asas nos protegendo, sempre. E continua, eu sinto... Algumas palavras que escrevo podem soar como revolta, mas não, são saudades mesmo. E o que nos faz melhorar, dia após dia, chama-se Deus, o tempo, e alguns medicamentos que nos colocam para cima. Feliz Dia das Mães, todos os dias!
Miguel Daré