Enquanto a caldeira esquenta, alguns bauruenses tentam jogar os agentes de trânsito na fervura. Parece inacreditável a falta de ética da maioria dos brasileiros. Diariamente, em todos os ciclos dos semáforos, durante o dia todo, os carros “furam” o sinal vermelho. Não é suposição ou intriga; é fato. Mas, graças à herança maldita de um Brasil (mal) colonizado por bandidos e prostitutas, grande parte da população se acha no direito de reclamar das multas que, minimamente, estão sendo impostas pela Emdurb.
Inacreditavelmente, pelo que se vê das muitas cartas que são publicadas aqui, parece que Bauru virou uma cidade de franciscanos que juram inocência no trânsito e que os agentes são idiotas que só multam os bons motoristas, embora hajam infratores aos milhares. E o que é pior, alguns vereadores querem usar sua influência para cobrar da Emdurb o fim da prática da autuação. Nada mais popular que isso. Nada mais demagogico e representativo de uma vasta categoria de infratores que, simplesmente, não querem ser punidos. Afinal, representar o interesse vil do povo... também é representar o povo.
A impunidade sempre foi o “calcanhar de Aquiles” do Brasil. Nunca soubemos lidar com a punição ou aceitar seus efeitos, seja na reprovação escolar, na criminalidade, na política ou no trânsito. O círculo vicioso da “infração-não punição” nos envia cada vez mais para o fundo do poço mas, como bons malandros, gostamos mais de ter um lucro eventual com a não punição do que ter que pagar pelo ato infrator.
Sou a favor não apenas das autuações feitas por agentes de trânsito, mas à instalação de centenas (ou milhares) de dispositivos fotográficos nos semáforos. Assim, não precisaremos mais pagar, com sangue, o que os infratores bem podem pagar com o dinheiro da sua estupidez.
Contudo, seria preciso que a Emdurb regulasse os semáforos e tirasse o nefasto “duplo vermelho”. Se a luz amarela for mais longa, o motorista vai saber que a luz vermelha que surge para ele representa o acerder da luz verde da transversal. Da forma que está, todo infrator sabe que o vermelho diante dele implica, ainda, na continuidade do vermelho para a transversal. Mesmo sem saber por quanto tempo, ele tem “segurança” para furar o semáforo porque os outros estarão parados.
E aproveito para fazer um alerta: aqueles faróis brancos ou azuis, de alta intensidade e que cegam os motoristas são proibidos pelo Códito de Trânsito, mais precisamente pela resolução 227 do Contran. Esse tipo de faról ilumina apenas a estupidez do proprietário, que se regozija pela visibilidade que dá ao seu carro. Todavia, a luz forte é apenas o reflexo da sua ignorância e egoísmo, sem prejuízo do risco real que causa ao motorista que perde sua acuidade visual quando cruza com ele. A Polícia ou a Emdurb não multariam esses infratores porque seriam Playboys ou “filhos de bacanas” ou apenas por não terem atentado a mais essa prática delituosa?
Ivan Garcia Goffi - advogado