O militar reformado e ex-deputado federal, conhecido pela alcunha de Curió, tenta retornar ao cenário nacional com a edição de um livro contendo a sua versão sobre a Guerrilha do Araguaia. Divulga que possui um arquivo particular sobre este lamentável período da ditadura militar brasileira e o que o utilizou para escrever referido trabalho. Se tiver efetivamente o arquivo, este pertence ao povo brasileiro, em decorrência de ter sido montado com dinheiro público e o Ministério da Justiça, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos ou mesmo a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal deveriam providenciar sua apreensão. Aliás, tal caso se equipara ao do delegado de polícia aposentado Wanderico de Arruda Moraes, residente em Jaú, interior de São Paulo, que declarou ao jornalista Percival de Souza, mais precisamente na página 118 do livro Autopsia do Medo, que mantém em seu poder os inquéritos que presidiu no extinto DOPS de São Paulo. Tais documentos, de um ou de outro, não são propriedades particulares e sim do poder público.
No caso especifico do Curió, que com toda a certeza o amigo passarinheiro Médinho não quer em seu plantel de aves canoras, as afirmações são no mínimo levianas. Não foi o legista Fortunato Badan Palhares quem reconheceu os restos mortais da guerrilheira Maria Lúcia Petit e sim o cirurgião dentista Jorge Tanaka, da cidade paulista de Duartina, que havia realizado tratamento dentário em Maria e possuía em seus arquivos RX de dentes da guerrilheira morta em confronto com as forças militares da Ditadura. Com base nestes RX, dirigiu-se a Unicamp e realizou o reconhecimento da arcada dentária, nos restos mortais que lhe foram apresentados e que se encontravam embrulhados em um tecido, semelhante aquele que foi fotografado o corpo inerte da camarada e heroína brasileira Maria Lúcia Petit.
A responsabilidade, a ética profissional deste dedicado cirurgião dentista está sendo afrontada por este gorila, fantasiado de Curió. Se souber e afirma saber onde estão enterrados os bravos guerrilheiros do Araguaia, é obrigação latente de nosso governo obrigá-lo a mostrar os locais onde se encontram os restos mortais para que suas famílias possam sepultá-los em locais dignos e reverenciar suas memórias. No caso específico do doutor Jorge Tanaka, cujas palavras e laudos estão sendo colocados em duvida pelo Curió desafinado, o diligente cirurgião dentista deveria acionar a Justiça com o intuito de ter sua imagem profissional reparada por esta autêntica viúva da tirania.
Antonio Pedroso Júnior - chineloneles@hotmail.com