Recentemente, em entrevista a Roberto D’Avila, na rede TVBrasil/RJ, Arthur da Távola, ex-secretário da Cultura do Estado do Rio de Janeiro, manifestara sua visão quanto à cultura de massa no Brasil. Para ele, os meios de comunicação de massa buscam, cada vez mais, simplificar seus conteúdos em detrimento da audiência ou público leitor, nos casos de jornais e revistas. Visto esta simplificação, o indivíduo deixaria de buscar novas formas de raciocínio, os mais complexos e sofisticados, sendo estes, os caminhos que levam as explicações acerca dos fatos e situações as quais muitas vezes parece não haver respostas. Desta forma, a fim de nivelar o seu público-alvo, os meios de comunicação de massa buscam homogeneizar as audiências tratando de conteúdos exacerbadamente simplificados.
Isto explica por que razão a imprensa fez tanto alarde no caso de Isabella Nardone, segundo pessoas com menor conhecimento, “falando sempre a mesma coisa”. Ora, é óbvia a gravidade do fato. No entanto, há muitas outras questões que a imprensa poderia ter tratado entre elas a questão da condição humana. O que me pareceu, vendo colegas entrevistarem o avô paterno de Isabella em rede nacional é que, mesmo eles, produtores da mídia, acabam por simplificarem tais questões, a ponto de demonstrarem bastante parcialidade ao conduzirem as perguntas e esquecerem que não entrevistavam o assassino, e sim, um pai que tem seu filho apontado como suspeito de um crime. Desta forma, conclui-se que os produtores da mídia de massa desprezam toda e qualquer forma de análise mais complexa dos fatos, talvez não percebendo que eles próprios podem acabar sendo reféns desta simplificação dos fatos e pior, desviando informações que seriam de inteira relevância para a compreensão do público de um caso nem tanto enigmático.
Acredito que seja este o interesse da população ao acompanhar este caso e não por simples desejo de compartilhar com a violência. Segundo dados divulgados pela Imprensa, uma criança morre no Brasil a cada 10 horas; 60% dos homicídios em São Paulo são cometidos por pessoas sem histórico criminal e por motivos fúteis; além da violência familiar começar dentro de casa. O clamor popular quer entender o porquê deste descaso com a vida humana. Ao que me parece, quem mais gosta de violência são os próprios produtores da mídia que abarrota a programação diária com esta temática.
A condição humana é complexa e não há consenso entre a ciência e a filosofia sobre as questões acerca do bem e do mal. O que se tem registrado de forma conscienciosa é que o homem nasce bom e pode se tornar mal, devido às formas de sobrevivência e o mundo que o cerca. Ora, se o nosso código penal não aponta a culpabilidade de alguém desde que esta culpa seja provada, por que razão haveria um pai de incriminar seu filho, conhecendo ele as leis penais? Pela pressão da mídia ou pela pressão popular? Acredito que se nos colocarmos no lugar deste pai, não seria fácil responder esta pergunta.
A autora, Adriana Nigro Cardia, é mestra em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP