Tribuna do Leitor

Morte suspeita


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Sabe, Renata, quando abri o jornal no dia seguinte ao de sua trágica morte, li: “Universitária tem morte suspeita”. Chocada, comecei a pensar na vida, na sua vida, ou melhor, o pouquinho dela que a mim, como sua professora, foi permitido conhecer.

Pensei que sua vida também está irremediavelmente ligada a suspeitas. Aliás, tenho sobre você várias suspeitas: a primeira é a de que você talvez tenha sido a aluna mais doce com quem já convivi; a segunda, é a de que talvez tenha sido a mais aplicada, e a terceira, e para mim a mais importante suspeita, é a de que você tenha sido a mais persistente, a mais determinada pessoa, capaz de conseguir superar adversidades impostas pela natureza e vencê-las com todo o brilho.

Imagino a profunda dor que sua partida inesperada causou a seus pais. Suspeito que tenha sido a mais terrível de todas as dores. Mas não suspeito, tenho absoluta certeza de que do lugar onde você agora habita, vai dar um jeitinho todo especial para amenizar e confortar os que a amam desesperadamente.

É uma pena, Renata, que tenhamos de conviver com as mortes suspeitas e que você, tão cheia de vida, passe a fazer parte de mais uma fria estatística dos nossos tempos.

Suspeito também, Renata, que tenhamos a infeliz sorte de ter que sobreviver sem você, sem seu exemplo, sem seu carinho, sem seu amor, sem sua alegria.

Como podemos acreditar que a vida é uma passagem, tenho a suspeita que um dia estaremos juntas, num reino onde não haverá mortes suspeitas. Só felicidade!

Sua professora da USC, Élida Farias.

Élida Maria da Fonseca Costa Farias - RG 17.116.243-2

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