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Nenhuma escola estadual atinge meta

Por Da Redação | Com Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Nenhuma escola estadual de Bauru atingiu a meta estipulada pela Secretaria de Estado da Educação como ideal para o ensino público. Ontem, a pasta lançou o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), que estabelece ano a ano como deve ser a evolução de cada uma delas. As 43 escolas de Bauru, assim como todas as outras paulistas, passaram a ter um índice e metas a serem alcançadas já a partir deste ano.

Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, a meta de cada escola é individual e leva em consideração sua atual situação, dificuldades e potencialidades. As unidades não são comparadas entre elas, sendo que os níveis ideais a serem alcançados variam de acordo com o ciclo. Numa escala de 0 a 10, os melhores índices alcançados em Bauru foram 5,4 para a 4.ª série do ensino fundamental; 4,32 para a 8.ª série e, 3,10 para o último ano do ensino médio.

O desempenho reflete o resultado do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). E não é coincidência. Para criar o Idesp, a pasta adotou dois critérios. O primeiro é justamente o próprio Saresp, considerando sua distribuição em quatro níveis de proficiência (abaixo do básico, básico, adequado e avançado). Também levou em conta o fluxo escolar em cada nível de ensino das escolas.

Ele é determinado pela taxa de aprovação média em cada ciclo (1.ª a 4.ª, 5.ª a 8.ª séries do fundamental e 1.º ao 3.º ano do ensino médio).

A primeira

A partir do critério, o Christino Cabral, mais uma vez, figura como a melhor escola do ensino médio de Bauru. Na cidade, assim como no Estado, os estudantes desta faixa são os que apresentam as piores avaliações.

“Em todos os lugares, existem os alunos que não levam a sério, também nas particulares. No Estado (na rede estadual), tem muita gente que trabalha e tem que conciliar trabalho com escola”, diz a aluna do 3.ª ano do ensino médio do Christino Cabral, Larissa Tomazini Mortari, 17 anos. De acordo com ela, apesar da dificuldade, se a escola for organizada, tiver metas e o aluno for empenhado, é possível tanto melhorar o desempenho da escola quanto passar no vestibular. Ocorre, no entanto, que a maioria deles chega à escola desestimulada, admite a diretora do Christino, Maria Helena Catini Campagnutti. “Infelizmente, o alunado de hoje não quer nada com nada. Aqui fazemos um trabalho de elevar a auto-estima deles, graças à competência técnica dos nossos profissionais”, afirma ao contar o segredo do melhor desempenho da cidade. Ainda segundo Catini, a escola concilia afetividade com disciplina rígida.

“Os alunos precisam de amor porque os pais trabalham fora. No primeiro dia, os professores participam de palestra para levantar a auto-estima deles para depois passarem isso aos alunos, embora chorem a falta de um aumento”, conclui a diretora.

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Medidas

A Secretaria de Estado da Educação iniciou ações para o avanço do desempenho dos alunos. No ano passado, por exemplo, a pasta retomou a realização do Saresp, que em 2006 não foi aplicado. O governo do Estado também implantou pela primeira vez recuperação focada em língua portuguesa e matemática de 42 dias para os alunos de 5.a a 8.a série do ensino fundamental e ensino médio.

Outra medida foi a adoção do Projeto Intensivo de Ciclo (PIC) para a 3.ª série do ensino fundamental. Aqueles que não obtiveram boas notas no Saresp, realizado em 2007, foram encaminhados para salas específicas, cuja função principal é reforçar conteúdos no ano anterior.

Já na 4.ª série, os alunos que ficaram retidos devido ao baixo desempenho durante o ano foram separados em turmas específicas, nas quais os docentes - que passaram por capacitação - trabalham as dificuldades de cada um, dando mais ênfase aos conteúdos que não foram absorvidos no ano anterior.

Este ano também foi implantado um guia curricular para 5.ª a 8.ª série do ensino fundamental e para o ensino médio. Proporciona aos professores orientações sobre o trabalho a ser desenvolvido com os alunos. Os materiais são compostos de 76 livros, chamados Cadernos do Professor.

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Longe do ideal

O Idesp mostra que as escolas estaduais paulistas estão longe de chegar ao nível de ensino de países desenvolvidos. O objetivo traçado pelo governo é fazer com que o ensino médio chegue a 5 em 2030. Atualmente, no Estado, é de 1,41. No ensino fundamental, as metas são mais altas. Hoje, as escolas de 1.ª a 4.ª séries têm Idesp de 3,23 e a meta é 7. Nas de 5.ª a 8.ª, o índice é 2,54 e a meta, 6.

O índice é perto do que teriam países como Reino Unido, Finlândia e Coréia. A comparação com outras nações é possível porque o Ministério da Educação (MEC) já havia feito essa simulação quando lançou o Ideb em 2007. Atualmente, apenas duas escolas de ensino médio do Estado já têm índice 5. E cinco escolas de 5.ª a 8.ª séries já chegaram a 6. Nenhuma de 1.ª a 4.ª chegou ainda à meta 7.

Segundo Maria Helena Guimarães de Castro, secretária de Estado da Educação, além de ajudar as escolas a identificar e resolver os problemas dos aluno, um dos objetivos do Idesp é ter um sistema transparente de bonificação. “O Idesp representará pelo menos 50% do bônus”, diz a secretária. Ela explica que o governo ainda elabora um projeto de lei com os critérios que levarão à premiação das melhores escolas. Além do Idesp, a assiduidade dos professores deve ser levada em conta.

A proposta de gratificações é criticada pela diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi da Silva. De acordo com ela, a pasta mede o desempenho do aluno não por estar preocupada com a qualidade do ensino, mas para punir o professor pelos erros do próprio governo do Estado. “Acho que até 2030 é possível recuperar a educação. Até antes. Mas a gente percebe que fazem avaliações, estabelecem metas e não fazem nada para resolver os problemas”, diz.

Na opinião dela, as novas políticas adotadas todos os anos são paliativas, já que não levam em conta as experiências da comunidade escolar. Para profissionais da educação, alunos e pais, medidas simples poderiam reverter os baixos conceitos obtidos pelos estudantes, afirma. Entre elas, a redução de crianças e adolescentes em sala de aula e a capacitação de professores dentro da jornada de trabalho.

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