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Insanidade e vigarice


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Os custos de produção na agricultura cresceram significativamente nos últimos meses por conta dos aumentos no preço do petróleo, que é a base química sobre a qual se fabricam insumos indispensáveis como fertilizantes, defensivos, etc. Há outros fatores identificáveis como o próprio custo dos transportes, etc. mas que são cuidadosamente escondidos nessa absurda discussão que ocupa grandes espaços na mídia mundial, em que se tenta atribuir ao etanol brasileiro a responsabilidade pela alta nos preços de alimentos. E, por tabela, a escassez e as dificuldades de abastecimento que estão agravando o problema da fome nos países mais pobres.

No que diz respeito ao Brasil é só olhar as estatísticas e verificar que a produção de alimentos vem crescendo ao mesmo tempo em que cresce a produção de cana, com uma vantagem a mais: a cana se renova à cada dois anos e meio e nos intervalos se plantam alimentos no próprio terreno onde se plantou cana. E a expansão dos canaviais se fez majoritariamente em terras antes ocupadas como pasto, em boa parte degradadas, de forma que não impediu a produção de 1 quilo sequer de feijão ou arroz. A produção do etanol de cana cresce, turbinada por formidáveis ganhos de produtividade que à cada dia exigem menos terra para a extração de l litro de álcool, enquanto a produção de grãos no Brasil atinge um novo recorde este ano. Com uma particularidade: da mesma forma que na cana, apresenta um ganho de produtividade significativo na colheita dos grãos, 8% superior à safra anterior, com um aumento de pouco mais de 1% da área plantada.

O que é mais lamentável na forma como essa discussão está sendo tratada é a guarida que a campanha contra o etanol brasileiro encontra na Organização das Nações Unidas, que já foi uma instituição séria e hoje não se dá ao respeito. Fez muito bem, por isso, o presidente Lula quando na recente visita à África cobrou publicamente mais responsabilidade e coerência dos organismos internacionais que não cumpriram os compromissos que anunciaram no combate à fome, como a OMC, a FAO e a própria ONU. Todos foram coniventes com as políticas de subsídios nos países desenvolvidos que sustentaram sistemas de produção ineficientes e bloquearam a expansão e as exportações agrícolas dos países emergentes. Deveriam se responsabilizar pela escassez de alimentos que hoje piora a situação de fome nos países mais pobres, na África e na Ásia. A postura daquela última é inadmissível, pois gasta o dinheiro que nós enviamos para sustentar a sua imensa burocracia, contratando notórios vigaristas para escrever artigos na imprensa mundial com argumentos falsos contra o etanol brasileiro. É o caso de um pilantra que quase foi preso por tentativa de chantagem contra bancos suíços que se apresenta como especialista em problemas de alimentos da organização internacional.

Enquanto é vítima dessas campanhas sórdidas, o Brasil generosamente oferece a seus parceiros pobres na África, sem cobrar royalties, o acesso ao conhecimento acumulado pela nossa Embrapa e outros centros de excelência em pesquisa no desenvolvimento da agricultura tropical. É esse conhecimento que garante a nossa autonomia alimentar e que - se bem utilizado - vai aliviar a fome nas regiões mais carentes do mundo.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento - e-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br

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