Vinte e duas horas da maratona cultural já terão sido percorridas quando o Zimbo Trio subir no palco do Teatro Municipal de Bauru. Mas após mais de 10 anos de espera, parece que não faltará fôlego para os bauruenses prestigiarem o mais longevo conjunto instrumental brasileiro.
O inconfundível som do Zimbro Trio, que já soma 44 anos de estrada, há tempos não era apreciado na cidade que é terra natal de Amilton Godoy, um dos integrantes. “Estamos muito empolgados porque temos apenas boas lembranças das vezes que tocamos em Bauru. Sempre fomos muito bem recebidos pela cidade”, conta Godoy sobre as expectativas do trio, em entrevista concedida por telefone ao JC Cultura.
A vinda dos músicos, que também se apresentaram na Virada da Capital, foi fruto de investidas da Secretaria Municipal de Cultura para que a atração fosse incluída na programação do evento na cidade. “Estávamos tentando há quase três anos trazer o Zimbo Trio para uma apresentação em Bauru. “Quando vimos que eles participariam da Virada em São Paulo, logo manifestamos nossa vontade de tê-los aqui”, revela Sivaldo Camargo, diretor do departamento de ação cultural de Bauru. “Fizemos muita força junto à Secretaria Estadual de Cultura para que viessem, porque já fazia muito tempo que não se apresentavam em Bauru. E essa interferência nossa acabou dando certo”, reforça José Augusto Vinagre, secretário municipal de Cultura.
A atração, prevista para as 16h, será a última atividade realizada no Teatro Municipal dentro da programação da Virada. Formado por Amilton Godoy (piano), Rubinho Barsotti (bateria) e Itamar Colaço (baixo), o Zimbo Trio fará o show baseado no último disco, gravado em outubro do ano passado. O CD “Zimbo Ao Vivo” é o 49.º trabalho do grupo e foi o motivo da indicação para o Prêmio Tim 2008 na categoria instrumental.
Mas Amilton garante que o repertório foi cuidadosamente escolhido para que o trio mostrasse não apenas o atual trabalho, como também todos esses anos de trajetória. Sendo assim, canções como “Garota de Ipanema” e o clássico arranjo feito para “Aquarela do Brasil” não vão faltar. “Vamos apresentar o que o Zimbo tem feito pelo País e pelo mundo e um pouco da nossa história. A presença de arranjos marcantes da nossa carreira é importante para mostrar o tipo de som que fazemos”, conta o músico.
Apesar da carreira de sucesso, que coleciona bons prêmios e passagem por mais de 40 países, Amilton cita que fazer música instrumental não é tarefa fácil, principalmente no Brasil. “O espaço dedicado ao estilo é muito restrito e algo que precisa ser incentivado”, defende.
A partir disso, o bauruense acredita na Virada como uma boa oportunidade de divulgar a música. “O evento não tem objetivo comercial e sim uma porção de gente interessada em difundir arte. Excelente para quem tem poucas chances de aparecer”, completa.