Tribuna do Leitor

Requinte da imoralidade parlamentar


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Quando o brasileiro pensa que já viu tudo nessa vida, quando ele humildemente acredita que os parlamentares não serão capazes de mais nenhum ato aviltante, chega a notícia quente de Brasília dando conta de que os nossos legítimos representantes estão bolando uma nova armadilha para abocanhar mais dinheiro do povo. Dessa vez a idéia foi proposta pelo diretor geral da Câmara, Sérgio Sampaio de Almeida, e trata-se de um auxílio-funeral para amparar os pobres familiares dos parlamentares e ex-parlamentares em suas despedidas dessa para melhor (será?).

A Mesa da Câmara apresentou projeto que institui mais uma verba para os já abastados vencimentos dos nossos deputados federais, o auxilio-funeral. Por se tratar de projeto de suma importância e grande relevância para os destinos da Nação, o presidente daquela casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), assinou sem pestanejar mais esse descalabro.

O projeto nefasto coloca sob responsabilidade da Câmara a realização de toda cerimônia fúnebre, incluindo compra de caixão, translado ou destina uma cota de R$ 16.500,00 (dezesseis mil e quinhentos reais) para ressarcimento à família dos gastos efetuados. O projeto abre ainda a perspectiva para incluir nessa festa os gastos com ex-parlamentares.

Na justificativa dessa aberração aprovada por unanimidade pela Mesa da Câmara em reunião realizada em 26 de Março de 2008, Arlindo Chinaglia diz que: “O projeto é resultado de estudos de grupo de trabalho constituídos pela Diretoria Geral da Câmara”. Para ser colocado em vigor basta a aprovação em plenário da Câmara. O que, convenhamos, será fácil, visto não se tratar de verbas para o povão e sim para os próprios interessados.

Na mesma reunião a Câmara ainda aprovou o pagamento de todas as despesas do deputado Mussa Demes (DEM-PI) em sua viagem a Espanha para tratamento de um câncer que acometeu o parlamentar. Nesse caso, minha perplexidade é igualmente gigantesca, pois conheço amigos que estão na Justiça para conseguir um medicamento para seus familiares visto que o preço dos mesmos é abusivo ou importado.

Um brasileiro comum que quiser se tratar no Exterior não tem ajuda alguma do Congresso Nacional, do SUS e nem do Governo Federal, pelo contrário, só vai colher burocracia e dificuldades infindáveis.

Assim é a elite política brasileira, vive nababescamente, tem prerrogativas inúmeras, tem imunidade parlamentar, ganha salários acrescidos de vencimentos de toda ordem que chegam a corar um marajá e ainda assim conseguem adicionar cada dia mais itens à sua coleção de benesses com dinheiro público. A soma anual chega a aproximadamente R$ 1.746.000,00 por deputado. Esse dinheiro é todo jogado no lixo, pois nossos parlamentares não votam nada do interesse da nação, não contribuem com o desenvolvimento nem com a formulação de Leis e Projetos que visem aliviar o tremendo calvário da nossa gente.

Eu seria a favor do auxilio funeral se o mesmo fosse extensivo a todos os eleitores do Brasil que morrem diariamente por falta de assistência médica decente, por falta de segurança pública, em acidentes nas nossas péssimas estradas, por balas perdidas, dengue, falta de saneamento básico, etc.

Rafael Moia Filho

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