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Cartas na mesa


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Os defensores das Cotas e do Estatuto afirmam que as políticas universalistas foram incapazes de “incluir o negro” e por isso as cotas seriam necessárias. Nada mais falso. Como a maioria dos defensores das cotas não possui vínculos orgânicos com a classe operária trabalhadora, desprezam a luta organizada dos trabalhadores negros e não negros para garantir a aplicação desses direitos nas luta do dia a dia, como educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis, saúde de qualidade e gratuita para todos, reforma agrária, demarcação das terras dos quilombos remanescentes, emprego, salário decente, aposentadoria justa, fim da violência policial, o que garantiria condições de vida decentes, reivindicações se chocam com a política do governo de garantir o superávit primário para pagar engordar os lucros dos banqueiros das grandes cor-porações.

Os defensores da luta contra o racismo desvinculada da questão de classe são os cotistas radicais (negros e brancos), vinculados principalmente a Ongs, institutos, organizações religiosas, cujos projetos que desenvolvem são financiados principalmente por recursos de empresas privadas que aplicam o conceito de “responsabilidade social”, bancos e fundações internacionais, como a Fundação Ford. Seguem à risca o que determina os donos do capital: implementar a integração pura e simples de alguns dentro da ordem burguesa.

Os “neonegros” que alcançaram os confortos da pequena burguesia, e que hoje são os defensores mais radicais dos projetos racialistas, atacam os movimentos negros que combatem a prática da caridade, via Ongs, que se constituíram em instrumento de cooptação de parcela significativa de negros para o mundo das elites dominantes. Estão comprometidos com a conquista da mobilidade para alguns, por meio de uma política de conciliação de classe com a burguesia que lhes oferece uma cesta básica de esmolas. Se conseguirem, a maioria que fique penando no inferno até que uma morte indigna os leve para outro lugar, isto é se não tiver cotas. Eles e seus aliados brancos de consciência arrependida defenderão até a morte os projetos de Cotas Raciais e o conteúdo reacionário do Estatuto da Igualdade Racial que divide a nação, se colocando a serviço dos interesses dos imperialistas e racistas, promotores da exclusão e da barbárie.

Nós que integramos o Movimento Negro Socialista, que nos posicionamos contrariamente aos projetos de Cotas nas Universidades Públicas e do Estatuto da Igualdade Racial, constatamos que estes negros e seus aliados interessados nos valores pequeno-burgueses são um obstáculo à luta da maioria esmagadora do povo negro, que é o maior contingente da classe operária e trabalhadora.

No Brasil, a condição de classe é um fator determinante nas questões raciais. A partir desta constatação reafirmamos que a luta de combate ao racismo deve estar ligada à luta de classes, sem que exista relação de subordinação entre elas, o que hoje passa pela luta sem tréguas aos que encontraram a saída mágica: defender a classificação racial oficial no Brasil, propondo sem nenhum pudor ou honestidade intelectual que se implantem aqui categorias raciais, o que vai de encontro aos interesses dos donos do poder, paradigma no qual se sustenta a defesa das cotas e estatuto.

Roque Ferreira - coordenador de Comunicação da Federação Nacional Independente dos Trabalhadores Sobre Trilhos - CUT.

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