Regional

Cidades reduzem desmatamento

Por Tisa Moraes | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Três anos depois de figurar entre as cidades brasileiras que mais destruíam a Mata Atlântica, Reginópolis e Arealva voltam a ter motivos para comemorar. Ontem, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgaram um levantamento que aponta queda vertiginosa nos índices de devastação nos dois municípios.

Denominada “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”, a análise foi realizada entre 2005 e 2007 e envolveu somente as 51 cidades que apresentaram maiores índices de desmatamento durante o período de 2000 a 2005. De acordo com a assessoria de imprensa da Fundação SOS Mata Atlântica, trata-se de um estudo preliminar, que será concluído apenas em 2010, contemplando todos os municípios brasileiros.

Os dados levantados mostram que Reginópolis reduziu a destruição de mata de 71,63 para 8,69 hectares por ano. No primeiro período estudado (2000-2005), Arealva devastou 57,66 hectares anuais de floresta. Entre 2005 e 2007, a quantidade caiu para 30,64.

Em números brutos, Reginópolis havia extinto 358,16 hectares de floresta entre 2000 e 2005, e se destacava como o terceiro município mais crítico dentro do Estado de São Paulo, atrás apenas de Eldorado e Barra do Turvo. Arealva aparecia na quarta posição, com 288,28 hectares destruídos no mesmo período.

No entanto, ambas conseguiram reduzir drasticamente as atividades prejudiciais à mata nativa e os números, por conseqüência, também decresceram. Entre 2005 e 2007, Reginópolis teve 21,73 hectares destruídos e Arealva, 76,60 hectares.

Para o engenheiro da Prefeitura de Reginópolis, Nadir Navarro Dias de Freitas, a diminuição nos índices é resultado direto do trabalho de fiscalização realizado pela Polícia Ambiental de Bauru. “A prefeitura não chegou a fazer nenhuma intervenção que pudesse implicar em redução do desmatamento, isso ficou mais a cargo da polícia”, avaliou.

O prefeito de Arealva, Paulo Padanofsque, não foi localizado pela reportagem para comentar o assunto. Em função do adiantado da hora, após as 18h, a reportagem não conseguiu contatar o comando da Polícia Ambiental de Bauru para analisar o estudo divulgado ontem, assim como nenhum representante do Departamento de Proteção aos Recursos Naturais (DPRN).

O levantamento completo para o período de 2005-2010 só deve ser concluído em 2011, mas o estudo parcial divulgado ontem já sinaliza que as duas cidades devem deixar de figurar novamente no topo da lista dos ecologicamente incorretos. Dos 51 municípios analisados, Mafra (SC), Itaiópolis (SC) e Santa Cecília (SC) foram os que mais perderam cobertura vegetal nativa entre 2005 e 2007.

O que resta

A análise preliminar do atlas indicou que a Mata Atlântica está reduzida a 10,6% do que existia originalmente e apresenta alta taxa de fragmentação dos trechos de floresta ainda preservados, o que tem ameaçado a biodiversidade do bioma. Distribuída ao longo da costa atlântica do País, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai na região sudeste, a mata abrangia originalmente 1,3 milhões de km² no território brasileiro.

No entanto, desde o descobrimento do Brasil pelos europeus, os impactos de diferentes ciclos de exploração, da concentração de cidades e núcleos industriais e da alta densidade demográfica em sua área, entre outras atividades, fizeram com que a vegetação natural fosse reduzida a atuais 142,6 mil km2 espalhados por 17 Estados.

Comentários

Comentários