Amiudemente, a tão famigerada alta nos preços dos alimentos tem nos causado uma alta preocupação, pois estamos presenciando e pressentindo que podemos não ter mais o “pão nosso de cada dia”. Só neste ano o trigo teve aumento de 130%, e os preços de vários outros alimentos subiram 57%. A fome tem chegado como o etanol em nossas vidas, de maneira repentina e eficaz. A população mundial, em geral, tem visto em telejornais e veículos de comunicação que isso chegará em suas casas. O meio em que vivemos vem abrangendo muito e dado ênfase, pois afinal o mundo terá de duplicar a produção até 2050, só assim haverá comida suficiente para uma população de 8,9 bi, segundo Malthus.
Concernente aos biocombustíveis, eles têm participação no motivo do aumento dos alimentos. As razões para essa crise são muitas e não podem ser atribuídas, como alguns fazem, simplesmente à competição entre biocombustíveis e agricultura. A produção mundial de alimentos foi afetada nesse ano por secas e outros desastres naturais. Aumento no consumo, especialmente na Ásia, especulação financeira e queda do dólar também podem ser culpados.
Os biocombustíveis são produzidos a partir de monoculturas intensivas de plantas (soja, milho, cana-de-açúcar) para o efeito. Nos são apresentados como alternativas aos combustíveis fósseis, visto que são energias renováveis, apesar de não ser isento de emissões de gases estufa, como o carbono. Estamos, portanto, a inutilizar uma vasta porção de solo ou absorver e reter carbono na atmosfera.
Em face dos argumentos apresentados, fica patenteado que, ao plantar as matérias-primas dos biocombustíveis, seria necessário plantar a cada quatro anos leguminosas, como a soja, servindo de “adubo” novamente ao solo.
Seria também bastante relevante o plantio de transgênicos, afinal, tal tecnologia poderia enriquecer alimentos e aumentar a produtividade, além de as plantas tolerarem herbicidas e transformar áreas áridas e inóspitas em formidáveis produtoras de grãos.
Giovanna C. Taneno