Houve um tempo em que a água mineral era vendida em farmácias em razão das suas propriedades terapêuticas. E não era todo mundo que podia comprar. Atualmente, por conta do estímulo à adoção de dieta saudável, o consumo desse tipo de bebida se disseminou e ela passou a ser encontrada em quase todos os pontos de venda de alimentos. Como o próprio nome diz, a água mineral é repleta de minerais, como cálcio, potássio e sulfato de sódio, entre outras substâncias importantes para o organismo. Se levado em conta que cerca de 70% do corpo humano é formado por água, consumir esse produto em sua composição mineral, portanto, torna verdadeira a afirmação de que somos a água que bebemos.
É o que defende a professora Sirlei Roca, 39 anos, coordenadora do curso de química da Universidade do Sagrado Coração (USC). “Tanto em quantidade quanto em qualidade. Quanto melhor a água, mais saudável é nosso organismo”, observa.
Mas nenhuma água é igual a outra. “A composição depende da fonte e do solo da região onde a água foi extraída”, explica a nutricionista Taís Baddo. Ela lembra que os minerais que estão nesse líquido não foram adicionados por nenhuma empresa, mas fazem parte de sua própria formulação. Por isso leva o nome de água mineral natural.
Entre as substâncias encontradas nela estão o estrôncio, magnésio, cálcio, potássio, sódio, sulfato e bicarbonato, entre outras. O cálcio e o magnésio, por exemplo, são indispensáveis para mulheres grávidas e em fase de amamentação. O cálcio é essencial na formação e manutenção da saúde óssea e dos dentes, além de ajudar a regular o ritmo do músculo cardíaco. Já o magnésio interfere no sistema metabólico do corpo humano.
Ambos são encontrados na água mineral, assim como o sulfato, que tem um papel importante no controle hormonal e na eliminação de substâncias tóxicas. Pode ajudar a prevenir os cálculos renais, a famosa pedra nos rins. Já o potássio, outra substância presente na água mineral, auxilia na diminuição da pressão arterial e do risco de acidente vascular cerebral.
A água mineral não tem cloro, conseqüentemente, tem um “sabor” melhor do que a água tratada que recebemos em casa. O do produto engarrafado, normalmente, é maior que o da água da torneira. Por isso, é mais benéfico para a saúde.
Cuidados
Mas nem todos os elementos que compõem a água mineral fazem bem aos consumidores. Água com alta concentração de sódio, por exemplo, pode fazer mais mal do que bem para quem sofre com a pressão alta e cálculo renal.
Por esse motivo, a degustadora de água da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) Rosângela Ciampi, 48 anos, orienta o consumidor a ler a composição química antes de comprar uma garrafa de água mineral.
“Se a pessoa tem problema com pressão alta, é preciso ficar atenta ao nível de sódio na água”, alerta ela, que tem como função experimentar a água fornecida pela Sabesp para saber se o produto está dentro do padrão de qualidade exigido. Segundo Rosângela, o alerta vale para quem consome muita água mineral.
Ler o rótulo da garrafa é uma prática quase inexistente, como mostra a consulta feita pela reportagem junto a consumidores de água mineral na cidade (leia depoimentos acima). Ao observar o rótulo com a composição química das diferentes marcas de água mineral vendidas em Bauru, é possível notar com clareza a extensa variação nos níveis de sódio. Enquanto em uma determinada marca a quantidade chega a 60 miligramas de sódio por litro, em outra o índice é de 0,31 miligramas por litro.
O sulfato é outra substância que, quando ingerida em grande quantidade, pode gerar efeito negativo. Acima de 1.000 miligramas por litro, o sulfato pode se transformar em um laxante e se torna não recomendável para as crianças. O nível de sulfato em uma marca de água mineral importada vendida em Bauru chega a 443,8 miligramas por litro. Na maioria das águas nacionais presentes no comércio local o índice é baixo, chegando a 0,1 miligrama por litro.
Segundo a farmacêutica Nilva Petraglia, 38 anos, as águas que são colocadas à venda no Brasil têm sua composição rigorosamente fiscalizada e controlada dentro dos limites mínimos e máximos permitidos. “A água é um alimento e, como tal, tem de ser sempre inspecionada.”