Bairros

Mau cheiro incomoda comerciantes

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Morar, trabalhar ou mesmo passar próximo do rio Bauru é um desafio ao estômago. O forte cheiro emanado incomoda quem vive próximo às margens do manancial em toda a sua extensão. Gilmar Aparecido de Castro, sócio de uma empresa localizada na avenida Nuno de Assis, reclama que em certo períodos do ano o mau cheiro fica insuportável.

“Quando cessa o período de chuva, o odor chega a ficar insuportável, muita gente reclama. As obras iniciadas na cabeceira do rio pioraram a situação de um tempos para cá”, opina Castro.

As duas margens do rio Bauru, na avenida Nuno de Assis, que poderiam ser utilizadas pelos moradores da região para a prática de esportes, ficam desertas devido ao mau cheiro, que se acentua principalmente à tarde.

João Gustavo, que trabalha em outra empresa também na região, diz que já se acostumou com o mau cheiro. “A gente só sente quando a situação é bastante crítica, principalmente no período da tarde”, conta. “Quem reclama mais são os clientes da loja”, completa.

Mesmo até que mora mais distante das margens do rio se diz incomodado. “É o dia inteiro. Para almoçar é uma tristeza e durante a noite o cheiro também é muito forte”, comenta Célia Regina de Mattos, para quem o problema irá continuar enquanto o esgoto for despejado no rio.

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Fiscalização

As obras do tratamento de esgoto na cidade são fiscalizadas pelo Conselho Fiscalizador do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), presidido pelo economista Reinaldo César Cafeo. “Temos até a possibilidade de antecipar a entrega das obras, em razão de haver R$ 14 milhões em caixa vindo da taxa cobrada de cada contribuinte” conta. “Até esse momento verificamos com satisfação que os recursos do FTE estão sendo bem aplicados”, avalia.

De acordo com o presidente do conselho, muita coisa já está pronta embaixo da terra. Cafeo informa que 55% de interceptores já foram instalados nos córregos de Bauru. “Posso afirmar que o cronograma das obras estabelecido pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) está sendo rigorosamente cumprido”, afirma.

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Tranqüilidade

O projeto desenvolvido pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) tem como alcance o ano de 2022, e uma vazão média de 1.420,00 de litros por segundo, hoje essa vazão não chega a 900 mil litros. O DAE estima que em 2022 Bauru esteja com uma população de aproximadamente 500 mil habitantes.

Mas de acordo com os dois últimos censos populacionais realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000 e 2007, a população de Bauru cresceu cerca de 10% num período de sete anos.

Se for seguida a lógica dos números, as duas estações de tratamento de esgoto atingiram sua capacidade máxima de processamento de esgoto depois de 2035.

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Olhar atento

Na opinião do promotor do meio ambiente de Bauru, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, o tratamento de esgoto é apenas um dos problemas crônicos para o meio ambiente urbano de Bauru. “Não é só tratar o esgoto, temos que dar um fim adequado para o lixo urbano e educar a população”, defende o promotor.

Responsável pelo acerto do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que coordena a realização das obras das ETEs em Bauru, Castro avalia que trabalho não pode parar. “Não é aceitável que uma cidade do tamanho de Bauru ainda despeje 100% do seu esgoto in natura em um dos seus principais rios”, diz o promotor.

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