Brasília - O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Sérgio Moraes (PTB-RS), nomeou ontem o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) como relator do caso que trata das denúncias contra Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical. Na prática, a escolha do relator representa a instalação do processo.
Ele é acusado de envolvimento com um esquema de irregularidades no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), desbaratado pela Polícia Federal durante a Operação Santa Tereza. Moraes decidiu ainda reunir as duas representações contra Paulinho.
Piau foi nomeado relator porque fez um acordo com Moraes ao abrir mão de concorrer com ele na disputa pela presidência do Conselho de Ética.
Durante a instauração do processo, registrada às 15h32 de ontem, o presidente do conselho reclamou das críticas que recebeu do corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE). “Recebi pressão do corregedor Inocêncio. O corregedor me atirou na imprensa, como se eu fosse padrinho do Paulinho, não sou padrinho dele.”
Inocêncio afirmou que Moraes descumpriu o Código de Ética da Câmara, que determina a imediata abertura de inquérito quando há recomendação da Corregedoria Geral da Casa. Diante da demora, o corregedor entrou com a representação contra o presidente do conselho.
Para Inocêncio Oliveira, as denúncias contra Paulinho são “gravíssimas’’ e ele deve ser processado por quebra de decoro parlamentar.
Outro lado
Paulinho reiterou ontem que não iria renunciar ao seu mandato parlamentar e afirmou que vai aproveitar a abertura da ação no Conselho de Ética da Casa para se defender das acusações.
“Nada melhor do que ir ao Conselho de Ética para me defender. Não há possibilidade de renúncia. Não penso em renunciar porque não devo (nada). O que há são acusações indevidas contra mim.”
O parlamentar nega envolvimento no esquema. Ontem, ele novamente rebateu as acusações. Como em ocasiões anteriores, o deputado se disse vítima de “perseguição” por defender projetos de interesses dos trabalhadores.
Ontem Paulinho estava acompanhado por um grupo de sindicalistas que faz campanha em defesa da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem prejuízo de perda de salários, conforme uma proposta em tramitação na Câmara.