Nesta semana, recebi várias perguntas de leitores, que costumo responder direto via e-mail, mas estas achei melhor responder diretamente pela coluna, pois é de interesse de mais gente. Portanto, lá vai.
Nosso amigo Paulo Pandolfi tem duas perguntas. A primeira:
1- Os aerofólios instalados nos veículos de passeio (Astra Hatch) servem mais como enfeite ou realmente exercem pressão aerodinâmica? Caso positivo, a partir de qual velocidade e qual o efeito sobre o consumo de combustível e sobre o desgaste dos pneus traseiros? Vale a pena instalá-los?
R.: Em uma matéria anterior eu havia explicado o funcionamento do apêndice aerodinâmico (nome oficial do aerofólio) em veículos esporte e de corrida. A pressão aerodinâmica exercida sobre o perfil força o veículo para baixo dando maior aderência, mas esta pressão só é significativa a partir de 140 km/h, ou seja, quase nunca será útil em veículos de passeio, portanto é apenas um enfeite caro. Quanto ao consumo de combustível, sempre que se aumenta a carga do veículo (seja ela carga útil ou aerodinâmica), o consumo aumenta proporcionalmente. Da mesma forma, quanto mais carga sobre os pneus, maior o desgaste. Em vista de tudo isto, não recomendo instalá-lo em carro de passeio.
2- Essa nenhuma oficina ainda me respondeu: por que ninguém consegue pintar o carro com a mesma qualidade da fábrica (fica o efeito “casca de laranja” e “pintura opaca”)? Já me disseram que é em função da temperatura da tinta no momento da aplicação, líquido secante caríssimo, imersão, etc.
R.: Aí a coisa não é bem assim. As fábricas têm equipamentos muito sofisticados de pintura de acordo com suas especificações, seja pintura líquida ou eletrostática a pó, com pistolas robotizadas e que chegam a pintar mais de 1000 carrocerias por dia, portanto não se pode esperar que oficinas particulares tenham os mesmos equipamentos.
Existem oficinas muito bem equipadas com cabines de pintura adequadas, que usam materiais e produtos homologados que conseguem fazer trabalhos de pintura excelentes de repintura, não deixando diferenças entre a pintura original e o retrabalho. O efeito “casca de laranja” também é original de fábrica e chega a ser desejável para não destoar do resto da carroceria, sendo inclusive difícil de reproduzir em oficina. Toda pintura precisa de um polimento final e este dará o acabamento esperado. Se polirmos muito uma pintura “casca de laranja” ela ficará lisa e isto é o que ocorre com um carro usado. Após muito tempo de uso, lavagem e polimento, a pintura perde as características originais de brilho e rugosidade.
Quanto à pintura opaca, aí sim é devido a um serviço mal feito ou pelo uso de material de qualidade inferior. Serviço bem feito, com equipamento e material de primeira e mão de obra especializada, sempre fica bom.
Nosso outro amigo Eli Roberto Garcia Filho tem dúvidas a respeito de rodas de liga leve. Pergunta ele: Para que elas servem? Melhoram a estabilidade do veículo? Fazem com que os pneus se desgastem menos? Ou sua função é meramente estética? Se a função é só estética, por que há pessoas que insistem em pagar mais caro nessas rodas já que não há ganho na performance do carro?
Boas perguntas! No estudo da cinemática dos movimentos, no caso da suspensão veicular consideram-se todos os componentes acima das molas como massa suspensa, enquanto que o restante é chamado de massa não suspensa. Esta última, quanto menor, melhor será a resposta do sistema, portanto quanto mais leve o conjunto roda, pneu, freio, braços e bandejas, mais eficiente será a resposta do conjunto suspensão. Se a suspensão é melhor, também a estabilidade o será e os pneus estarão mais bem assentados no solo, durando mais. Mas não se pode negar o efeito estético das rodas de liga leve, que melhoram bastante o visual do carro. Finalizando, sempre tem gente disposta a pagar por algo que não precisa, só para aparecer. É só ver a infinidade de produtos, acessórios e de grifes totalmente desnecessárias, mas que vendem!
____________________
* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.