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Fone de ouvido causa perda auditiva

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Entre as pessoas que trabalham em funções nas quais têm de usar fones de ouvido, de 6% a 12% sofrem de algum tipo de perda auditiva. Isso significa que dos 750 mil operadores de teleatendimento e telemarketing que atuam no Brasil, cerca de 4,5 mil, no mínimo, podem apresentar esse problema, aponta pesquisa da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Por se tratar de uma doença ocupacional, boa parte deles teria direito aos benefícios acidentários da Previdência Social, além de poder pleitear a concessão da aposentadoria especial, caso fosse comprovada a incapacidade para o trabalho e a relação da doença com a atividade. Isso, no entanto, raramente ocorre porque é muito difícil provar que a perda auditiva foi provocada pela exposição prolongada ao ruído com o uso do fone de ouvido.

“Faltam, no Brasil, procedimentos e metodologias legais para avaliar se o som emitido pelo fone de ouvido está dentro de níveis seguros”, diz o engenheiro eletricista e de segurança do trabalho Jair Felicio, mestre pelo Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da USP, onde funciona um dos principais laboratórios especializados em segurança no trabalho do Brasil – o Lacasemin.

Felicio apresentou o estudo que visa contribuir para solucionar esse problema, na medida em que identificou quais metodologias e normas são mais adequadas para avaliar os níveis de ruído em fones de ouvido.

Em sua pesquisa, baseada em um levantamento de normas internacionais e estudos sobre medições sonoras, feitos por ele e por outros pesquisadores, Felicio constatou que a medição de som emitido por fone de ouvido envolve variáveis que, se não forem levadas em consideração, podem distorcer o resultado. “Além disso, a maioria dos pesquisadores não teve a preocupação em padronizar os procedimentos de avaliação e os equipamentos de medição”, diz.

Uma possível solução identificada pelo pesquisador foi uma metodologia elaborada por uma empresa sediada em Chicago, nos EUA. “É uma alternativa mais barata e simples, mas que, no entanto, precisa ser melhor estudada para verificar a sua conformidade com as normas da série ISO 11904”, diz ele, que pretende continuar sua pesquisa, em nível de doutorado, nessa linha.

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