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Mercado valoriza profissional flexível

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Sabe aquele colega de trabalho intransigente, que sempre acha que o mundo todo conspira contra sua existência e ele, sim, é o dono da razão? Certamente você já conheceu ou ouviu falar de pessoas como essa, que parece estar com os dias contados dentro do mercado de trabalho.

Isso porque, segundo a avaliação de especialistas, a capacidade de flexibilidade dos profissionais é uma das competências mais valorizadas no momento de uma contratação. “Desde a globalização, as empresas passaram a sofrer mudanças muito rápidas, em aspectos que vão desde o sistema de informatização utilizado até a forma de atingir o público-alvo”, observa a gerente de consultoria de recursos humanos (RH) Gabriella Afonso Casério.

Ela explica que, em razão do ritmo acelerado das transformações, as organizações privilegiam funcionários ágeis e dispostos a modificar sua forma de pensar e agir mediante os constantes imprevistos. E foi exatamente essa habilidade que garantiu a Danielle Medina, 33 anos, o cargo de chefe de propaganda e marketing de uma empresa de materiais escolares de Bauru.

Sem experiência nenhuma com trabalhos em equipe, Danielle começou sua carreira na organização há 13 anos, como tradutora de manuais de equipamentos. “Era eu, o dicionário e o computador. A grande vantagem era que o trabalho final dependia só de mim”, analisa.

Como ela conseguiu galgar degraus até conquistar um cargo de chefia? Utilizando, espertamente, muito “jogo de cintura”, conforme ela mesmo conta. “Foi um pouco angustiante no início, porque a realização do meu trabalho passou a depender de muitas pessoas. Mas a gente sempre acaba conseguindo chegar onde quer se for maleável com as pessoas”, ensina.

De acordo com Gabriella, uma pessoa avessa a mudanças e a novas idéias não consegue acompanhar o ritmo da nova dinâmica imposta às organizações e sempre apresenta problemas de relacionamento interpessoal.

“Eu costumo dizer que as pessoas entram na empresa por seus requisitos técnicos e saem por suas características pessoais, entre elas, muito fortemente, a falta de flexibilidade no relacionamento com os colegas”, frisa.

Currículo recheado

Gabriella revela que, para conseguir se manter em um bom emprego, de nada adianta o profissional ter um currículo recheado de cursos e certificações, se não demonstrar ser polivalente no desempenho de suas funções. “Há bem pouco tempo, ter uma graduação era um grande diferencial, mas se tornou algo comum hoje em dia. O que destaca o profissional dos demais é a flexibilidade que ele tem para utilizar esse conhecimento nas diversas áreas que envolvem o seu trabalho diário”, orienta.

Foi o que aconteceu com a psicóloga organizacional Cristiane Oliveira Alves, 26 anos. Embora ainda não tivesse concluído a graduação, em 2005 ela foi contratada como estagiária de uma empresa de recrutamento e treinamento de profissionais.

Sem a garantia de efetivação e iniciante no mercado de trabalho, ela teve de se esforçar para aprender rapidamente os meandros que envolvem o trabalho em equipe. “Essa fase de adaptação, de um ambiente acadêmico para o mercado, demandou que eu desenvolvesse um rol de habilidades muito mais complexo para lidar com os imprevistos do dia-a-dia e com os demais profissionais”, avalia.

Em dois anos, foi efetivada no cargo, mas a psicóloga conta que sofreu dificuldades até aprimorar estratégias para sobreviver em um território até então inexplorado. “Eu era mais rígida, achava que as coisas deveriam ser mais regradas, me programava para desenvolver algumas atividades durante o dia, mas imprevistos surgiam e mudavam toda a rotina que eu tinha estabelecido”, recorda-se, destacando que foram os percalços do cotidiano profissional que a ensinaram a ser mais flexível.

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Rica divergência

Para a coordenadora da área de administração e negócios do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Andréia Peretti Sangaletti, exigir flexibilidade dos funcionários não implica em tentar anular a discordância de opiniões dentro das empresas. “Pelo contrário, a maior riqueza do trabalho em equipe é a divergência. É ótimo que haja formas diferentes de entender uma mesma questão. O que não se deve fazer é cercear a criatividade do outro”, pondera.

Ela assinala que é somente através da diversidade de pontos de vista que as organizações encontram soluções para seus problemas e conseguem crescer. Da mesma forma, o funcionário que pretende crescer profissionalmente deve ser capaz de absorver diferentes e novos conhecimentos, além de flexível o suficiente para conviver bem com os colegas de trabalho.

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