Bairros

As ‘novas’ festas juninas

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Uma das festividades populares mais esperadas pela população depois do Carnaval, as festas juninas deixaram de ser realizadas pela comunidade para se tornarem eventos promovidos por entidades, clubes e escolas. São eles, junto com as igrejas, que têm mantido a tradição ainda em pé, repassando-a de geração em geração em Bauru.

O resultado mais imediato dessa mudança está na finalidade da festa: de evento para fomentar a religiosidade e promover a união entre a comunidade, se tornou oportunidade para angariar dividendos.

Reflexo disso é que são poucas as festas realizadas ainda em Bauru organizadas por moradores de um quarteirão inteiro, onde tanto a comida quanto a bebida é distribuída de forma gratuita. Hoje, na maior parte das festividades juninas, tudo é vendido: desde a simples pipoca até bolos e doces.

Os responsáveis pelas igrejas que realizam as festas juninas explicam que o dinheiro arrecadado com a venda da comida e da bebida volta em benefício da própria população, por intermédio de obras e serviços que auxiliam os mais necessitados.

Em outros casos, clubes de serviço e outras entidades alugam o espaço destinado às barracas de bebida e comida por não possuírem estrutura para oferecer tudo o que se encontra numa festa. Há ainda quem convide entidades que, sozinhas, não possuiriam condições de realizar uma grande festa.

Na opinião dos organizadores, os ventos da mudança refletem o crescimento da população, os problemas com a segurança e as dificuldades burocráticas para se poder fechar a rua. Tudo isso fez com que aquelas festas onde a maior parte colaborava e todos se divertiam fosse perdendo a força.

“Hoje é complicado, é muita gente de fora que nem pertence ao bairro. No nosso caso, realizamos a festa porque moramos em local afastado”, avalia Sylvio Garcia Júnior, que junto com outros amigos moradores da quadra 2, na avenida Osvaldo Alvarenga Tavano, do Jardim Colonial, tentam manter vivas as festas tradicionais de quarteirão.

Para realizar a festa junina, cerca de 40 moradores se reúnem sempre próximo ao dia de São João. “Como o bairro é pequeno, a gente convida todos. Cada pessoa que confirmar presença deve levar um prato de doce ou salgado e mais um refrigerante”, conta. “A intenção é manter aquela tradição das festas que quando crianças a gente freqüentava”, completa Garcia.

Em Bauru, para se fechar a rua é preciso uma autorização da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A solicitação deve ser protocolada com antecedência acrescida de um pedido junto à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).

De acordo com a Emdurb, no passado o número de pedidos para interditar quarteirões para esse tipo de festa foi bem maior. Agora as solicitações estão reduzidas; das que restaram, a maioria é feita por entidades e escolas.

Olinda Maria Zanferrari é outra pessoa que luta ao lado dos familiares para manter uma tradição de 31 anos realizando uma festa em homenagem a São João Batista. “Sempre eu fazia tudo sozinha, mas hoje não dá mais, então a gente aceita que as pessoas tragam pratos de doces e salgados para colaborar”, conta. A expectativa da família era reunir este ano, aproximadamente, 700 pessoas em uma festa tradicional de quarteirão, onde comida e bebida são sempre distribuídas gratuitamente.

Mas até mesmo os pratos tradicionais das festas estão perdendo espaço para outros mais comerciais. O mesmo apelo é usado para incluir nesses cardápios cachorro-quente, batata frita e refrigerantes, que nada têm a ver com a tradição junina.

Algumas festas nem mesmo a fogueira á acesa mais. Também foram deixados de lado o pau de sebo, a puxada do mastro e os fogos de artifício, que estão deixando de ser tradição nas festas juninas realizadas na cidade.

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Os santos juninos

Quando o assunto é festa junina, muita gente se lembra apenas de Santo Antônio, o casamenteiro e protetor dos pobres, São João e São Pedro, mas a figura de São Marçal é muito comemorada, principalmente na região Norte do País, todo dia 30 de junho. Aqui em baixo, na região sudeste, as festas juninas começam no dia 13, com Santo Antônio e se encerram com São João no dia 24 e São Pedro no dia 29.

De acordo com o frei Jorge Luiz Maroski, que comanda a paróquia de Santo Antônio, no Jardim Bela Vista há 1 ano e meio, Santo Antônio é muito popular em todo lugar e é tratado como o santo do mundo inteiro. “Ele esteve muito próximo das pessoas, da realidade delas, por isso estava sempre preocupado com ajudar a todos”, conta o frei.

A fama de santo casamenteiro nasceu porque, enquanto vivo, Santo Antônio fazia grandes esforços para arrumar casamento para as mulheres solteiras da época. “Hoje centenas de pessoas relatam que graças às promessas feitas ao santo ou mesmo por freqüentar sua igreja conseguiram arrumar um bom partido”, conta Maroski. A distribuição do bolo e dos pães abençoados são os grandes atrativos da festa.

Já São João, comemorado no dia 24, é bastante lembrado por ser o anunciante de Cristo. Sua festa é comemorada com fogos de artifício, tiros, balões coloridos e, em alguns lugares, com banhos coletivos pela madrugada. As festas são realizadas de forma rural, ao ar livre, em pátios e grandes terrenos. À fogueira, a batata-doce, mandioca e o milho verde são pratos típicos dessas festas.

A São Pedro é atribuída a fundação da Igreja Católica, que o considera o “príncipe dos apóstolos” e o primeiro papa. Para os pescadores, o dia de São Pedro é sagrado, tanto que nessa data não é feita a pescaria. Ele ainda é considerado o santo protetor das viúvas. A brincadeira de subir no pau-de-sebo (uma árvore de origem chinesa) é a que mais se destaca nas festividades comemorativas a São Pedro. O objetivo para quem participa é alcançar os presentes colocados no topo.

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