Bairros

A beleza e o perigo dos fogos

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Muita gente diz que festa junina sem fogos é como arroz sem feijão, fica parcial, incompleta. Pela crença popular, existem duas razões para que nas festas do tipo não faltem as bombas que enfeitam os céus juninos.

A primeira é que elas servem para “despertar” os santos e chamá-los para as comemorações. Outra, oriunda de países católicos da Europa, acredita que o estrondo de bombas e rojões tem como finalidade espantar o diabo e seus demônios, principalmente na noite de São João. Deixando de lado as crenças populares, os fogos de artifício fazem parte até hoje das festas dos três principais santos do mês: Santo Antônio (13), São João (24) e São Pedro (29).

Ismael Henrique Patrício possui uma loja onde comercializa fogos de artifício há 19 anos e afirma que nem de longe as festas juninas são uma das melhores datas para venda desse tipo de produto. “As vendas de fogos para as festas juninas eram boas há cerca de 15 anos. Hoje se vende muito pouca coisa”, constata Patrício.

Para o proprietário da loja, os acidentes ocorridos ao longo dos anos e as campanhas realizadas pelos veículos de comunicação são responsáveis pela baixa procura. “Hoje o que mais se vende nessa época são estalos, tracks, chuva-de-prata, vulcãozinho e fósforos de cor destinados às crianças e cujo risco de ferimentos é muito baixo. Já os adultos levam bombas menores e rojões de três tiros”, conta. De acordo com Patrício, a melhor época para esse tipo de venda ainda continua sendo a passagem de ano.

O tenente Edson Winckler Filho, comandante dos postos de bombeiros de Bauru, lembra que os acidentes com fogos de artifício em sua maioria resultam em ferimentos que vão desde sérias queimaduras, cegueira, surdez até mutilações. “Os fogos só devem ser acessos por pessoas adultas, as crianças devem apenas soltar bombas de menor poder explosivo e sempre acompanhada de um adulto”, recomenda.

Quanto a soltar balões, Winckler lembra que a prática é considerada crime ambiental. “Essa prática pode resultar em dano tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente, pode cair sobre uma residência, uma indústria ou mesmo sobre as matas e terminar em grandes incêndios”, conta.

Winckler recomenda que em caso de acidentes com fogos de artifício a calma é a principal aliada da vítima. A primeira medida recomendada pelo Corpo de Bombeiros é lavar o ferimento em água fria e corrente. No caso de ferimento com hemorragia, a compressão no local do ferimentos com um pano limpo também pode ajudar, ferimentos com mutilações braços, dedos devem permanecer no alto até a chegada do socorro especializado.

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