Tribuna do Leitor

Greve dos professores


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Em junho passado os professores do magistério público estadual de SP permaneceram em geve quase o mês todo. Ressalte-se, o Estado de São Paulo está sendo governado pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) há 14 anos. Não é admissível que o descalabro do ensino público paulista seja culpa, negligência dos professores. Matérias na imprensa e na TV, pagas pelo Governo do Estado, apresentam críticas que maculam a imagem dos professores, injustamente.

Por sentimento da própria dignidade, como professor aposentado, 52 anos de filiação ao Centro do Professorado Paulista, fundador e ex-diretor da sede de Bauru do CPP por vários anos, não posso deixar de manifestar-se sobre o assunto, focalizando a greve, a precariedade da situação do ensino público e a situação salarial dos professores.

Quanto à greve, invoco o ombudsman do jornal Folha de São Paulo(6/7/08,pág.A-2), matéria sob o título “aos mestres, sem carinho”, cuja análise registro os seguintes trechos: “ A Folha tem tratado os professores do ensino público que ficaram em greve em São Paulo por três semanas sem nenhuma boa vontade. Posicionou-se em editorial contra a paralisação, publicou colunas agressivas contra eles e, no noticiário, tratou do assunto mais como empecílho adicional e desnecessário ao caótico trânsito da cidade do que como problema sério de políticas públicas”.

“A questão importante é outra. A greve é excelente oportunidade para a imprensa fazer levantamento detalhadodas condições da educação que a Folha desperdiça”. “Há consenso nacional sobre a importância da educação para melhjorar o futuro do país. Mas quando é necessário demonstrar concretamente esse compromisso, poucos dizem presente”. “Ou a educação é um tema prioritário para o jornal ou não é. Agora não é mais. Deveria ser. A greve lhe dá uma chance para que seja de novo”.

Quanto à precariedade do ensino público, invoco o artigo intitulado ‘Ensino sem demagogia’, publicado no caderno - Mais - da Folha de S. Paulo (l3/7/08, pág.4), de autoria de Dermeval Saviani, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Inicia o eminente professor afirmando: “Os mais variados diagnósticos põem em evidência o estado atual altamente precário da qualidade da educação pública brasileira”. Ressalta que o mais recente programa de enfrentamento da situação, O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que se propôs a atacar de frente exatamente o problema da qualidade do ensino, tem como obstáculo que impede seu objetivo, a sempre alegada falta de verbas. Iasto é, o insuficiente investimento.

Esclarece o professor Saviani que a situação agora repercute de forma ampliada por efeito da greve dos professores da rede pública estadual de SP (iniciada em l6/6), que põe em evidência o problema das condiçõs precárias, desestimulando a procura pelos cursos de preparação do docente. Sugere o ilustre professor para solução do problema, ajustar as decisões políticas ao discurso imperante. Elegendo a educação como máxima prioridade, carreando para ela todos os recursos disponíveis.

Mostrando a falta de coerência dos governantes, conclui o emérito professor da Unicamp: "Ou assumimos essa proposta ou devemos deixar cair a máscara e paramos de pronunciar discursos grandiloquentes sobre educação, em flagrante contradição com uma prática que nega cinicamente os discursos proferidos. Registre, queiram ou não, a remuneração do professor não é apenas um problema de justiça social, mas também um problema pedagógico. Sem nenhuma contestação, a eficácia do desempenho profissional do professor está associada à sua remuneração, na exata medida que a remuneração venha a influir nas condições de vida do professor". Conclusão, esta é a realidade da escola pública brasileira, dos professores como profissionais do ensino e da recente greve que poderia ter sido evitada, se o governador e secretária da Educação houvessem demonstrado em atenção e consideração aos professores e às liderenças das entidades da categoria, que foram simplesmente desconsideradas.

Rodolpho Pereira Lima - RG 2.096.095

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