Internacional

Tatuador brasileiro é morto em Madri

Por Mariana Campos | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Madri - Um mal-entendido pode ter provocado a morte do tatuador brasileiro Luciano Windoski, 28 anos, em Madri. Segundo seu pai, o bancário Mário Windoski, 58 anos, o filho tentava apenas ajudar um amigo que estava apanhando quando recebeu uma facada. “Não foi isso que estão falando. Ele voltou (ao local do crime) para socorrer o amigo”, disse o pai do brasileiro ontem em entrevista à reportagem por telefone de Porto Alegre, onde ele mora.

Algumas agências de notícias internacionais informaram que Windoski e dois amigos teriam tentado roubar um lanche de um carrinho de vendedor ambulante durante a madrugada de ontem. Outros afirmam que tudo não passou de um mal-entendido, porque Windoski e os dois amigos que estavam com ele teriam falado apenas que o preço da mercadoria estava muito alto e teriam fingido que sairiam correndo, em uma espécie de brincadeira.

Segundo Mário, o filho saiu naquela noite com os amigos e, na volta, um deles parou para comprar um lanche. “Quando foi pagar, o chinês disse que era um certo valor. Ele disse que era caro e que não podia pagar, e o chinês disse que ele ia pagar. Havia mais chineses em volta”.

Mário diz que, a partir de então, alguns chineses começaram a jogar objetos no amigo de Luciano, e os outros começaram a agredi-lo. “Quando começaram a bater e a chutar esse rapaz, meu filho estava mais à frente. Ele ouviu os gritos e voltou para ajudá-lo, porque o amigo estava apanhando no meio de cinco (chineses). Ele deve ter entrado naquele bolo, empurrado alguém, dado um soco em alguém, e o cara, por trás, deu a facada”, diz ele.

Segundo o pai do tatuador, a facada atingiu um de seus pulmões e a causa da morte foi insuficiência respiratória. “Estão dizendo que meu filho roubou um lanche e saiu correndo. Ele tinha tanto medo de ser deportado que quase não saía de casa”, afirma Mário, dizendo que Luciano estava com a vida financeira equilibrada e havia acabado de comprar uma moto.

Ele diz também que o filho tinha autorização para trabalhar na Espanha, mas que a família, descendente de poloneses, tentava a dupla cidadania para que Luciano pudesse circular pela Europa. “Ele podia trabalhar lá, tanto que tinha autorização para dirigir”, afirmou o bancário.

Para a namorada de Windoski, a brasileira Priscila Muraneto, 26 anos, que também mora na Espanha, o crime foi uma “má sorte”. “Não consigo acreditar que isso aconteceu”, disse ela por telefone de Madri à reportagem.

Dizendo-se bastante chateada com as notícias que estão sendo divulgadas - de que o namorado teria tentado roubar algo ou morrido por uma brincadeira banal -, Munareto diz que, na hora do crime, Windoski estava ao lado de mais dois amigos, Ricardo Guilherme, 26 anos, e Jan Monzska, 20 anos. “Eles passaram por um chinês e foram fazer uma espécie de brincadeira, perguntando o preço de um chocolate e dizendo que estava caro. O Ricardo fez que ia pegar e logo colocou o chocolate de volta. O meu namorado pegou uma cerveja e saiu correndo. Mas ele não correu metros. Andou apenas um metro e voltou. Mas aí estavam jogando coisas na cara do amigo dele, e apareceram mais quatro chineses”, disse ela, que namorava com Windoski havia 3 anos.

____________________

“El País”

Madri - Uma reportagem publicada pelo jornal espanhol “El País” informa que agentes do polícia detiveram, pouco depois do crime, cinco homens de nacionalidade chinesa por sua possível implicação no caso. Entre eles, segundo o jornal, acreditava-se que estava o autor da facada. Foram apreendidos com eles tacos de beisebol.

O “El País” afirma ainda que o brasileiro apresentava uma ferida profunda de arma branca nas costas e contusões na cabeça produzidas por golpes. O amigo português de Windoski foi atendido com contusões e feridas na cabeça e no rosto.

“Ao que parece, o jovem morto e uns amigos roubaram um posto de comida chinesa instalado na região, e compatriotas do vendedor os perseguiram e os agrediram”, diz a reportagem publicada ontem.

O corpo de Windoski ainda não foi liberado pelas autoridades espanholas. A família dele passou uma procuração para a namorada cuidar da liberação do corpo, que deve ser enterrado no Brasil.

A família de Munareto também diz crer que tudo não passou de um mal-entendido. “Ele era uma pessoa excelente, não tinha indícios de mau comportamento”, afirmou o irmão dela, Wellington Munareto, 20 anos. “Ele sempre foi uma pessoa ótima, com todos ao redor. Todo mundo gostava dele. Acho que essa história não foi bem explicada ainda. Não acho que foi isso que alguns jornais estão dizendo, que foi uma brincadeira ou que ele roubou. Ele viu o amigo dele quase sendo espancado e entrou no meio para defendê-lo”, disse Wellington.

Comentários

Comentários