Os santos juninos estão sendo reverenciados de Norte a Sul. No Interior Paulista, nas cidades serranas e, principalmente, no Nordeste o que não falta é animação. Durante meses a espera é difícil mas gloriosa. Em São Luís, no Maranhão, em Aracaju, Sergipe, em Recife e Caruaru, em Pernambuco, e em João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba, tudo remete à festança.
Prefeitos, vereadores, deputados, governadores, senadores param, literalmente, nos finais de semana do “São João do Nordeste”, para dançar, beber e voltar às origens de uma festa popular trazida ao Brasil pelos portugueses.
Pode chover “canivete” que ninguém deixa de chacoalhar os quadris. Sem guarda-chuva, sem capa, sem medo da água, que, dependendo do lugar, cai com tudo.
Chega até a esfriar, mas nem assim estraga o brilho dos festejos, que recebem patrocínio e apoio das mais importantes indústrias nacionais. A Natura, por exemplo, todos os anos promove um lançamento de “cheiro” em Campina Grande e em Caruaru. As colônias, com essenciais nacionais, fazem sempre o maior sucesso.
Lúcia Helena Vitalli Rangel, no livro “Festas Juninas, festas de São João – Origens, Tradições e História ” lembra que as festas de junho começam dia 13, com o a de Santo Antônio, passando por São João, dia 24, e prosseguindo até o dia 29 com homenagens a São Pedro e São Paulo (um pouco esquecido em algumas cidades).
Muito antes do surgimento da era cristã, já eram promovidas para comemorar o solstício de verão, quando o Sol atinge seu ponto mais alto no céu e tem-se o dia mais longo e a noite mais curta do ano. Celtas, bretões, bascos, sardenhos, egípcios, persas, sírios e sumérios há milênios já faziam rituais de invocação da fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, promover a fartura nas colheitas e trazer chuvas.
Os colonizadores portugueses foram os responsáveis por trazer os rituais para o Brasil. Desde 1500 os jesuítas já acendiam fogueiras e tochas em junho, provocando grande atenção dos indígenas. “Houve, portanto, certa coincidência entre o propósito católico e as práticas indígenas simbolizadas pelas fogueiras de São João”, diz Lúcia.