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Brasil é 2º maior consumidor de cocaína das Américas

Fernanda Barbosa (Folhapress)
| Tempo de leitura: 4 min

Nova York - Cerca de 208 milhões de pessoas - 4,9% da população mundial - usaram drogas ao menos uma vez nos últimos 12 meses, e 26 milhões - 0,6% da população - são dependentes de drogas. As informações constam no Relatório Mundial sobre Drogas de 2008, lançado ontem no Instituto Internacional da Paz em Nova York. No Brasil, o representante regional do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) para o Brasil e o Cone Sul, Giovanni Quaglia, concedeu entrevista coletiva em Brasília sobre a divulgação do relatório.

De acordo com o documento, mais de 200 milhões de pessoas de 15 a 64 anos, em todo o mundo, usam drogas ilícitas pelo menos uma vez por ano, e a metade usa drogas pelo menos uma vez ao mês. Segundo o relatório, os usuários de drogas ilegais representam apenas uma pequena parcela se comparados ao álcool e ao tabaco. Cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem anualmente em razão do consumo de álcool. Entre os fumantes, o número é de 5 milhões. As drogas ilícitas são responsáveis pelas mortes de 200 mil usuários no mesmo período de tempo.

O Brasil é o segundo maior mercado de cocaína das Américas, com cerca de 870 mil usuários adultos - entre 15 e 64 anos -, somente atrás dos EUA, que possuem cerca de 6 milhões de consumidores da droga. O maior número de usuários brasileiros se concentra nas regiões Sudeste e Sul do País. No Sudeste, 3,7% da população adulta usa a droga pelo menos uma vez na vida. No Sul, a quantidade é de 3,1%. No Nordeste e Norte os usuários representam 1,2% e 1,3% da população respectivamente.

Pesquisas domiciliares realizadas no Brasil mostraram o aumento na prevalência anual (o uso pelo menos uma vez ao ano) de 0,4% dos adultos em 2001 para 0,7% em 2005.

Foi relatado o aumento do tráfico da droga nos Estados do Sudeste do País, o que pode indicar uma concentração de cocaína na região, segundo o relatório.

O Brasil também é responsável pelo maior volume de maconha apreendido na América do Sul no último ano, com 167 toneladas. A maconha produzida no país é utilizada em sua maior parte para uso doméstico e não apresenta parcela significativa entre os grandes produtores da droga na América do Sul.

No entanto, o consumo da maconha e do haxixe entre brasileiros aumentou duas vezes e meia, o que reflete a expansão da oferta de derivados de cannabis no vizinho Paraguai. Em 2001, 1% dos brasileiros consumia a droga. Em 2005, o número chegou a 2,6%.

De acordo com pesquisas domiciliares (CEBRID 2005), o Brasil também é o maior mercado de opiáceos na América do Sul, com cerca de 600 mil usuários - 0,5% da população adulta.

Oferta no mundo

De acordo com o documento, os mecanismos de controle nacionais e internacionais das drogas conseguiram reduzir a demanda, mas não a oferta dos narcóticos.

A produção foi impulsionada pelas plantações de ópio no Afeganistão e de cocaína nos países andinos. O relatório aponta que o tráfico aumentou nas regiões controladas por insurgentes. O Afeganistão teve uma colheita recorde de ópio em 2007, o que fez com que a produção mundial da droga quase duplicasse em dois anos. Cerca de 80% das plantações do país está localizada em cinco Províncias do sul, onde insurgentes talebans lucram com a droga. No restante do país, o cultivo está chegando ao fim ou diminuindo significativamente.

O aumento de 17% na área cultivada de ópio em 2007 (235,7 mil hectares) reflete a expansão do plantio no Afeganistão, que cresceu os mesmos 17%. O país, sozinho, cultiva 193 mil hectares da droga, contribuindo com 82% da produção mundial.

O cultivo da droga aumentou 27% em 2007, mas a produção de cocaína cresceu apenas 1% devido aos rendimentos mais baixos do plantio, causados pela exploração da coca em locais menores, menos concentrados e remotos.

Os países andinos foram os principais responsáveis pelo crescimento no cultivo da droga. Na Colômbia, ele aumentou 27%; na Bolívia, 5% e, no Peru, 4%. Somando os três países, a área rural ocupada pela droga chega a 181,6 hectares. A Colômbia possui em seu território 55% das plantações mundiais da droga. Mas a área mundial de cultivo de coca tem diminuído e hoje é 18% menor do que a registrada no ano 2000, quando a região possuía 221,3 hectares da droga.

A maconha é a droga mais produzida no mundo, mas geralmente é utilizada para finalidades locais. Mais de 41 mil toneladas foram cultivadas em 2006, o equivalente à produção de 2000 e 8% menor que a produção de 2004.

Apesar de a América ser responsável por 55% da área mundial de cultivo de cannabis, os principais exportadores da droga são a África e a Ásia. Em 2006, 3,9% da população mundial - ou 166 milhões de pessoas - afirmou ter usado maconha ou haxixe.

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