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Mulher recebe rim do ex-marido

Da Redação
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O Hospital Estadual (HE) “Arnaldo Prado Curvêllo” realizou, na quinta-feira passada, o primeiro transplante de rim intervivos. Cerca de 20 profissionais atuaram no procedimento realizado no centro cirúrgico em cerca de quatro horas. Silvana de Lima Oliveira, 41 anos, que passava por sessões de hemodiálise desde agosto de 2007, foi a receptora do rim doado por seu ex-marido, Edval Donizete Ezaúde, 40 anos.

Após consulta com nefrologista do HE, em 2006, foi constatado que Silvana tinha insuficiência renal crônica em estágio avançado. A partir de então iniciou-se a busca por um possível doador. O transplante foi feito graças ao gesto do ex-marido da paciente. Ele passou por todos os testes de compatibilidade e, após autorização judicial, confirmou a doação. Ambos estão sob avaliação médica.

O transplante intervivos acontece com a doação do órgão de alguém da família do paciente. Por lei, pais, irmãos, filhos, avós, tios, primos de primeiro grau e cônjuges podem ser doadores. Os que não forem parentes só podem doar em condições especiais, após liberação judicial, conforme lei vigente.

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Atenção à Saúde, já havia autorizado o HE para realização de transplantes renais com doador vivo ou doador cadáver, conforme regulamentação em portaria. Com o novo Centro de Terapia Renal Substitutiva da instituição, em funcionamento desde janeiro deste ano, os transplantados passaram a ter serviço de diálise e hemodiálise adulto e pediátrico e acompanhamento no ambulatório de transplantes.

De acordo com Amélia Trindade, nefrologista do Hospital Estadual e coordenadora regional da Organização de Procura de Órgãos, todos os renais crônicos que estão em diálise são candidatos potenciais ao transplante e não existe fila de espera para transplante com doador vivo.

Além disso, a chance de sucesso do transplante renal com doador vivo é bem maior por vários fatores. O principal deles, ressalta a médica, é que o rim é retirado do doador e transplantado imediatamente havendo assim menor comprometimento das funções do órgão. Outra vantagem é que dificilmente quem recebe o rim de um doador vivo precisa passar por hemodiálise após o transplante.

Desde o início de suas atividades, o Hospital Estadual Bauru, sob administração da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), já realizou 6 captações múltiplas de órgãos e 240 captações de córneas. Até janeiro deste ano foram registrados 66 transplantes de córnea.

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2006, o Estado de São Paulo foi o responsável por 1.004 transplantes renais dos 2.904 procedimentos realizados no País. Nos últimos seis anos houve um aumento de 44% no número de transplantes realizados no Brasil, que já está entre os três maiores do mundo na realização do procedimento. No País, o transplante renal é o segundo tipo de transplante mais realizado, porém, a fila de espera por um rim tem cerca de 34 mil pessoas.

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