Internacional

Israel trocará corpos com Hizbollah

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Jerusalém - O governo de Israel concordou ontem em libertar um guerrilheiro libanês condenado à prisão perpétua em troca dos corpos de dois soldados mortos por guerrilheiros do grupo radical xiita libanês Hizbollah.

O acordo, mediado pela Alemanha, dá uma rara vitória política ao premiê israelense, Ehud Olmert, cujo cargo está ameaçado por suspeitas de corrupção, e coloca um fecho, ainda que precário, à guerra que Israel lançou contra a milícia extremista xiita dois anos atrás.

Críticos, entretanto, afirmam que o alto preço pago poderá incentivar as milícias que combatem Israel a matar soldados cativos. Dizem, também, que o Hizbollah vai aproveitar a ocasião para declarar vitória.

O gabinete israelense aprovou a troca por 22 votos contra 3. O governo receberá os corpos de Ehud Goldwasser e Eldad Regev, capturados pelo Hizbollah em 2006, numa incursão que deu início a um mês de intensos combates.

Pouco antes da reunião do gabinete, Olmert anunciou pela primeira vez que os soldados estavam mortos. Apesar disso, pediu a aprovação do acordo, citando o compromisso moral de Israel com soldados mortos e cativos.

“Desde crianças somos ensinados que não abandonamos nossos feridos no campo de batalha e que não deixamos nossos soldados no cativeiro sem fazer tudo o que podemos para libertá-los’’, disse.

Israel também receberá partes de corpos de outros soldados mortos na guerra do Líbano e um relatório completo do Hizbollah sobre Ron Arad, um piloto israelense que está desaparecido desde que seu avião caiu no Líbano, em 1986.

A parte mais difícil do acordo é a soltura de Samir Kantar. Ele cumpre prisão perpétua por, em 1979, ter matado um israelense de 28 anos, sua filha, de 4, e um policial. Segundo testemunhas, Kantar arremessou a cabeça da menina contra uma pedra e esmagou seu crânio com a coronha do rifle. O ataque é considerado pelos israelenses um dos mais cruéis da história.

A mãe da menina, tentando silenciar os gritos de sua outra filha, de 2 anos, enquanto Kantar atacava o apartamento, sufocou-a acidentalmente. Hoje, a mãe, Smadar Haran Kaiser, disse que se sentia arrasada com a decisão, mas que a compreendia.

Israel também concordou em libertar quatro outros prisioneiros libaneses, dezenas de corpos e um número não revelado de prisioneiros palestinos. Críticos argumentam que a troca de Kantar por corpos representa um precedente perigoso, pois oferece a grupos extremistas maior incentivo para capturar soldados e menos razões para mantê-los vivos.

Israel negocia também um acordo com o grupo palestino Hamas para a libertação do sargento Gilad Schalit, capturado em 2006. Há indícios de que Schalit esteja vivo.

Comentários

Comentários