Após oito anos paralisadas, serão retomadas no próximo mês as obras do novo hospital do Centrinho, situado quase em frente ao anfiteatro Vitória Régia. Saiu ontem o nome da construtura vencedora da licitação. Ao superar outra concorrente, a Uniengenharia, de São Paulo, ficará responsável pela adequação e finalização do prédio, conforme as exigências da Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros.
A entrega do hospital está prevista para o final do próximo ano, segundo as expectativas do superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão. Trata-se de um prédio de 22 mil metros quadrados, o maior em área construída da cidade, informa o arquiteto Jurandyr Bueno Filho. Ele é o autor do projeto, já incorporado à cena urbana de Bauru, embora ainda não concluído por falta de recursos.
Serão investidos R$ 21 milhões para que finalmente ele seja aberto ao público (afora o valor a ser aplicado em equipamentos). “Até lá, trabalharemos com afinco”, diz Fábio Izoldi, um dos engenheiros responsáveis pela obra. A primeira parte do projeto Centrinho, que completou 41 anos, também saiu por suas mãos. “Foi em 1970, 1972. Viu que coisa maravilhosa aconteceu na minha vida? A gente está na praça para construir. De repente, me deparei com a publicação no Diário Oficial. Aí eu falei: essa aí eu quero”, comenta.
Para retornar a Bauru, ele aguarda apenas a publicação do resultado do processo licitatório e a homologação. De acordo com Izoldi, o trabalho no novo prédio, cuja pedra fundamental foi lançada em 1989, contemplará todos os aspectos de reforma, ampliação e obra nova. Respaldo não lhe falta. A Uniengenharia também atuou no Hospital Santa Helena, no Tide Setubal, na Vila Nova Cachoeirinha e no Pronto-Socorro Barra Funda, todos em São Paulo.
Em Bauru, ela ajudará a duplicar o número de atendimentos prestados atualmente no Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP), nome oficial do Centrinho. A idéia da construção do novo prédio partiu de Gastão. Segundo ele próprio confessa, inicialmente o projeto era mais modesto. No entanto, uma equipe do Ministério da Saúde, em visita à região, sugeriu que ele ampliasse o horizonte, já que os pacientes do Centrinho são oriundos do País todo. Junto com Bueno Filho, planejaram o prédio.
Pela sua nova estrutura passarão pacientes de casos mais complexos de anomalias craniofaciais, como crianças com patologias associadas às malformações de crânio e face, inclusive com comprometimento de órgãos. Essa expectativa de Tio Gastão foi relatada em entrevista concedida à edição especial do Em Foco, informativo do Centrinho.
“Predião”
O prédio com fachada revestida de pastilhas de cerâmica azul, voltado à avenida Nações Unidas, ficou conhecido como “predião”. Conforme o JC já divulgou, terá capacidade para outros 200 leitos, além dos atuais. O Centrinho atende casos mais complexos de deformidades faciais e de síndromes (múltiplas anomalias patogeneticamente relacionadas).
Atualmente, com 91 leitos dedicados integralmente ao Sistema Único de Saúde (SUS), o hospital recebe, em média, 250 pessoas por dia nas salas ambulatoriais, somando casos de fissuras labiopalatinas e de deficiências auditivas. Por mês, são encaminhados ao Centrinho, em média, 15 pedidos de atendimentos de urgência de crianças com anomalias craniofaciais.
A UTI de seis leitos tem taxa de ocupação que chega a 100%. O novo prédio - que terá mais oito leitos de UTI - deverá suprir a demanda.