O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) vai propor aos hospitais de Bauru um pacto para melhorar o atendimento aos pacientes com acidente cerebral vascular (AVC) e acidente cardiovascular. A proposta é encaminhar esses pacientes direto para internação em hospitais - de Base e Estadual - ao invés de levá-los para o Pronto-Socorro Central.
Esta nova sistemática de atendimento foi um dos temas discutidos durante o Congresso Brasileiro de Atenção às Urgências, realizado sábado passado, em Brasília, conta o coordenador do Samu em Bauru, o médico José Eduardo Passos. O pacto faz parte das novas formas de conduta no atendimento de urgência, proposto pelo Ministério da Saúde. “Esses são os principais índices de óbito da população. Por isso, não tem mais cabimento pegar esse paciente, levar para o pronto-socorro, aguardar tomografia, fazer a tomografia, aguardar vaga, etc. Isso dura cinco dias e eu vou tratar um cérebro fritado, vou tratar seqüelas”, frisou.
Desta forma, quando a viatura de suporte avançado do Samu atender um paciente com AVC, ele será encaminhado diretamente para a tomografia de um hospital, para avaliar se precisa ser internado na neurologia ou ir para o centro cirúrgico, explicou Passos salientando que o Ministério da Saúde dará todo o incentivo para os hospitais realizarem esse pacto.
O congresso realizado em Brasília serviu ainda para a aprovação do protocolo unificado de atendimento de urgência em caso de acidentes de grandes proporções, como enchentes, deslizamentos de terra e vazamentos de produtos químicos. Trata-se de um plano de ação integrado entre órgãos como Corpo de Bombeiros, hospitais, entre outros, que prestam atendimento a vítimas de acidentes.
Com a aprovação do projeto, está concluída a primeira etapa do plano. O próximo passo é a pactuação entre o Samu e os hospitais de Bauru para a desburocratização no atendimento às urgências na cidade e, posteriormente, a avaliação das condições do município pelo Ministério da Saúde para que seja feita a liberação da verba de R$ 2 milhões com o intuito de construir uma ou mais Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). Além dos R$ 2 milhões, Bauru receberá mais R$ 360 mil mensais para custear os recursos humanos - a prefeitura deve investir a metade deste valor.
A UPA é uma unidade que servirá para atender o paciente de urgência e emergência em clínica médica, ortopedia, odontologia, pediatria e ginecologia e obstetrícia. “Esse paciente terá até 48 horas para permanecer na UPA. Não é uma unidade hospitalar, mas de estabilização clínica do paciente. Dali, ou ele é internado ou recebe alta, dependendo da gravidade”, frisou Passos, explicando que com o Samu, ao invés de levar o paciente ao Pronto-Socorro, encaminha para essa UPA.
Passos explicou que as UPAs seriam usadas apenas para estabilização dos pacientes, o que contribuiria para desafogar os pronto-socorros, já que, a criação do Samu, há dois anos, trouxe um problema de demanda, sem falar que os pacientes atendidos pela unidade móvel são colocados junto a outros nos pronto-socorros, sem que haja a classificação por tipo de doença ou trauma.
A partir do momento que a primeira etapa foi concluída e considerando que o foco de Bauru é a construção de uma ou mais UPAs, o Ministério vai verificar a vulnerabilidade de Bauru. “O coordenador geral de Urgência e Emergência do Ministério da Saúde, doutor Cloer Vescia Alves, vai visitar o Samu, conhecer o município, verificar se a Secretaria de Saúde está condizente com o que o Samu está solicitando, se as verbas que já são destinadas estão realmente sendo aplicadas, entre outras coisas, que ele vai avaliar, para que, a partir daí, possa liberar a verba”, salientou.
Outra novidade pode ser a “motolância”, ou seja, uma moto equipada com aparelhos de atendimento de urgência e emergência, como o desfibrilador. A idéia das “motolâncias” é que um profissional da saúde chegue rápido ao local de uma ocorrência para avaliar as condições da vítima, até que a ambulância chegue. “Mas o envio das motos para Bauru vai depender dos relatórios enviados ao Ministério sobre o tempo gasto para atender cada ocorrência”, salientou.