Sem “papas na língua”, poucos são poupados das farpas do jornalista esportivo Jorge Kajuru. Grandes nomes da política, do esporte e da mídia são os “alvos carimbados” do audacioso crítico, que lança hoje, em Bauru, a segunda edição do livro “Condenado a Falar – De A a Z Pólvora Pura”. A sessão de autógrafos será realizada, a partir das 14h, no Empório Cultural, no Bauru Shopping.
A segunda versão de “Condenado a Falar” traz opiniões inéditas e bem humoradas sobre futebol, política, imprensa e televisão, além de novas entrevistas e denúncias.
Segundo Kajuru, a primeira edição, lançada no final do ano passado, sofreu alguns cortes pela editora, por conta da venda a R$ 1,00.
“Um farto material que poderia estar no primeiro, acabou ficando de fora. Para chegar a esse preço, a editora colocou algumas condições quanto à qualidade do papel e ao número de página, editando o livro”, explica o jornalista em entrevista concedida ao JC Cultura por telefone.
Uma dessas novidades presentes no lançamento são as “Páginas Negras” nas quais o jornalista faz denúncias de corrupção e escândalos do futebol. “Esse é o que eu considero meu verdadeiro livro. Nada foi retirado, todas as páginas estão nele, com todas as denúncias e nomes de A a Z”, declara Kajuru.
Considerado o atrativo mais polêmico, os citados verbetes de A a Z foram distribuídos no decorrer do livro e trazem, em poucas linhas, o que o autor pensa de vários famosos. “Resumo a minha opinião sobre as pessoas pertencentes à política, futebol, imprensa e TV”, conta.
Para justificar o significativo reajuste do primeiro para o segundo livro (de R$ 1,00 para R$ 15,00), um DVD histórico acompanha a publicação. Nele, 30 anos da carreira do jornalista são narrados em vídeo por meio de entrevistas e programas que fez, além de músicas compostas pelo próprio Kajuru e interpretadas por amigos e o livro “Dossiê K”, proibido, em 2002, de circular no estado de Goiás.
“Eu sempre declarei que livro nesse País não pode custar caro. Então coloquei o DVD e demorei cerca de quatro meses para fazer acordo com as livrarias para que o livro continuasse a ser vendido por um preço acessível”, justifica.
Sobre as polêmicas de “Condenado a Falar”, Kajuru diz ser a da Rede Record de Televisão com a Igreja Universal, uma das mais “picantes”.
Sem receios, o jornalista deseja a sua perda como resultado do processo, gerado por estas denúncias. “Já que a honra dele (bispo Edir Macedo) tem preço, faço questão de pagar”, provoca.
E para os que apostam que o motivo de tanta irreverência é puro marketing pessoal, Kajuru, como era de se esperar, tem a resposta na ponta da língua. “Eu não faço tipo, nem personagem. Para mim, ética só existe uma e tenho muito orgulho de fazer, há 30 anos, jornalismo de verdade”, defende.
• Serviço
Lançamento do livro “Condenado a Falar – De A a Z Pólvora Pura” com Jorge Kajuru, neste sábado, a partir das 14h no Empório Cultural no Bauru Shopping. Mais informações: (14) 3234-8191.
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Kajuru dá seu ‘sim’ e ‘não’
TV
Não: Mesas redondas. “Meu masoquismo não chega a tanto. Não tenho estômago para isso. Não há jornalismo, e sim um balcão de negócios”.
Sim: Novelas. “Mas apenas quando tem profissionais fantásticos que enriquecem a dramaturgia. E não gente que sai do ‘BBB’ (‘Big Brother Brasil’) e vira ator e atriz”.
Jornalismo
Não: Nenhuma revista semanal. “Depois que a IstoÉ, por exemplo, colocou na capa o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, como homem do ano, passei a chamá-la de ‘IstoFoi’.”
Sim: Jornais “Folha de S. Paulo”, “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”. “Se a TV Globo fizesse o jornalismo feito no jornal ‘O Globo’, esse País agradeceria”.
Música
Não: Zezé di Camargo & Luciano. “É impressionante a gritaria deles. Às vezes me perguntam: Kajuru, você já foi torturado, alguma vez? E eu digo: ‘Claro, morei em Goiás e ouvia Zezé di Camargo & Luciano’.”
Sim: “Blues, jazz, bossa nova e até os mais populares da música brasileira como o sertanejos Bruno & Marrone e a baiana Cláudia Leitte.”
Livro
Não: Paulo Coelho. “Simplesmente charlatão e picareta”.
Sim: “Ética”, de Baruch Spinoza.