Indagado sobre a realidade da saúde em Bauru, o atual presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Marcos Rodrigues Alves, afirma que falta organização e que o serviço oferecido é deficiente. Alves, que assumiu a presidência do conselho no lugar Cláudio da Silva Gomes (licenciado para eleições), critica a limitação de cotas para exames no município. Para ele, quem precisa de atendimento não pode ficar esperando.
“A pessoa que mora nos bairros mais pobres passa pelo atendimento médico e sai de lá com um receituário em que o medicamento solicitado pelo médico custa quase R$ 100,00. É por isso que Pronto-Socorro Central vive lotado, as pessoas vão até lá porque Bezentacil, por exemplo, é aplicado de graça e o alívio da dor chega rápido”, critica, embora avalie que nas farmácias das unidades não faltam os medicamentos básicos, somente o “grosso”.
Alves acredita que, se o PSC deixasse de ser a porta de entrada de pacientes de cidades menores, como Agudos, Piratininga e Iacanga, a situação seria outra. Para ele, esses atendimentos acabam “roubando” a vaga de um bauruense que necessita de atenção, razão pelo que defende que a porta de entrada para urgência e emergência deveria estar no Hospital Estadual de Bauru (HEB).
Outra reclamação feita pelo atual presidente do conselho é de que o número de pessoas que aguardam atendimento especializado é assustador. De acordo com ele, são mais de 18 mil procedimentos que chegam a demorar dois anos para serem realizados. “Só na área de psiquiatria, são mais de 1.800 procedimentos na fila e não há sequer um profissional realizando os atendimentos”, condena.
O secretário municipal de Saúde, Mário Ramos de Paula e Silva, rebate a informação e diz que o conselho se engana ao cobrar do município atendimento especializados ou cirurgias. “O município é responsável apenas pelos serviços básicos e de urgência e emergência e quem responde por atendimentos especializados é o Estado”, esclarece.