Cabul - Ao menos 40 pessoas morreram na explosão de um carro-bomba ocorrida ontem em frente à Embaixada da Índia, no centro de Cabul (Capital do Afeganistão), no ataque mais mortal ocorrido na Capital afegã desde a queda do Taleban, em 2001, informaram fontes oficiais.
A explosão danificou ao menos dois veículos da embaixada que entravam no complexo, perto de onde várias pessoas formavam fila em busca de vistos. A embaixada indiana fica no centro de Cabul, em uma área movimentada. Muitas pessoas iam para o trabalho no momento em que aconteceu a explosão.
Segundo o porta-voz de Defesa afegão, o general Zahir Azimi, o atentado aconteceu às 8h30 da manhã (1h de Brasília), quando o suicida detonou um carro diante da porta principal da embaixada indiana no Afeganistão. Uma testemunha citada pela agência de notícias afegã PAN afirmou que o suicida jogou o veículo contra a porta principal do prédio da embaixada.
A explosão, em uma rua movimentada do centro da Capital, perto da sede do Ministério do Interior afegão, parecer ser o ataque mais mortal desde a queda do Taleban em 2001. O ataque também está sendo considerado o mais mortal no Afeganistão desde que um homem-bomba matou mais de cem pessoas na Província de Candahar em fevereiro.
Vítimas
Em Nova Déli, o ministro de Relações Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, confirmou em entrevista coletiva transmitida ao vivo pelo canal de televisão NDTV que o atentado causou a morte de cinco membros da legação diplomática da Índia.
Entre os mortos estão o adido militar R.D Mehta e o conselheiro de assuntos políticos Venkat Rao, assim como dois membros da equipe indiana de segurança e um funcionário afegão da embaixada. O embaixador indiano em Cabul, Jayant Parsat, escapou ileso do atentado.
Um porta-voz do Ministério da Saúde afegão, Abdula Fahim, disse que 90 dos feridos foram internados, enquanto outros 51 receberam alta após serem atendidos. Várias lojas e estabelecimentos comerciais na região foram atingidos. “Muitas pessoas morreram. Vi muitos homens e mulheres sob os escombros”, disse Ghulam Dastagir, um comerciantes feridos no atentado.
Uma mulher saiu correndo de um hospital de Cabul chorando a perda de seus dois filhos, um menino e uma menina, que morreram no atentado.
Repercussão
O governo indiano condenou firmemente o atentado e reafirmou sua aliança com Cabul. “Lamentamos profundamente o atentado com carro-bomba na embaixada indiana em Cabul”, informa um comunicado emitido pelo Ministério de Exteriores indiano.
“O governo da Índia condena firmemente este covarde ataque terrorista sobre sua missão diplomática no Afeganistão. Estes atos não nos dissuadirão de levar a cabo nossos compromissos com o governo e o povo afegãos”, acrescenta a nota do governo.
Os Estados Unidos, para quem Cabul é um aliado-chave em sua “guerra contra o terrorismo”, condenou com firmeza “um ato de violência inútil”, e a Comissão Européia falou de “um ataque terrorista contra civis inocentes”. “Condenamos este ato desnecessário de violência e oferecemos nossas sinceras condolências aos feridos e, especialmente, àquelas famílias que perderam seus entes amados”, afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Gordon Johndroe.
O governo do Paquistão também condenou o atentado e se recusou a comentar as acusações afegãs que culpam os serviços secretos paquistaneses pelo ocorrido. “O Paquistão condena o terrorismo em todas as suas formas e manifestações, já que esta ameaça nega a essência dos valores humanos”, disse o ministro de Exteriores do país, Shah Mehmood Qureshi, em comunicado oficial.
O presidente afegão, Hamid Karzai, condenou o ataque e disse que foi realizado por membros de grupos armados tentando romper a amizade entre o Afeganistão e a Índia.
Cabul, até então dois anos a salvo dos ataques, sofreu nos últimos meses atentados suicidas cometidos pelos rebeldes muçulmanos radicais, principalmente talebans, que antes concentravam suas ações em seus redutos do sul e do leste do país.