Além de se proteger das baixas temperaturas, o consumidor também terá que driblar outra conseqüência do inverno: o aumento dos preços de frutas, verduras e legumes. As causas dos reajustes de alimentos como tomate e batata, ocorridos nos últimos 15 dias, se dividem e vão desde o inverno até aumento do petróleo e de defensivos agrícolas.
Na Central de Abastecimento S/A (Ceasa) de Bauru, os preços dispararam. De acordo com o técnico agrícola Augusto Rêmoli Filho, no entanto, a alta é considerada normal para o período. Isso porque, no inverno, a produção de alimentos cultivados a partir da rama, como chuchu, vagem e tomate, são prejudicados pelas baixas temperaturas.
Um dos únicos alimentos que apresentaram retração foi o mamão, cujo valor da caixa de 15 quilos caiu de R$ 25,00 para R$ 20,00. A uva itália registrou alta de 8%, assim como a rubi. Já o chuchu subiu 30% nas últimas duas semanas.
Nada comparado, porém, com a alta do tomate, cujos preços sobem há 15 dias sem parar. Na semana passada, a caixa com 23 quilos do produto podia ser encontrada por R$ 50,00. Até ontem, a mesma quantidade não saía por menos de R$ 55,00.
Também houve aumento nos preços da batata, cuja saca de 50 quilos aumentou 10%, e da vagem, que ficou entre 20% e 30% mais cara - a caixa com 15 quilos custa R$ 40,00. O principal reflexo dos reajustes dos produtos foi o movimento na Ceasa. Segundo Rêmoli, o estabelecimento registrou queda no número de visitantes nos últimos dias.
Escassez
Nos supermercados consultados pela reportagem, a situação não é diferente. Há, inclusive, escassez de produtos como tomate e batata. É o que aponta o gestor de compras Alexandre Facin. Ele afirma que um dos principais fatores responsáveis pelo aumento, constante nos últimos 30 dias, foi o preço do adubo, que subiu em torno de 130% em um ano, além de problemas logísticos como a alta do petróleo e falta de mão-de-obra para trabalhar com esses produtos. Os defensivos agrícolas também subiram em torno de 80% no último trimestre.
Facin afirma que as baixas temperaturas não justificam os aumento. “Como estamos sofrendo pressão (dos preços) dos grãos, como feijão e milho, vários produtores estão deixando de plantar e migrando para essas áreas, cuja rentabilidade é maior, e os produtores de legume estão diminuindo”, explica.
No estabelecimento, o tomate subiu até 100% em apenas um mês. O quilo do produto é vendido atualmente a R$ 2,60. A batata é comercializada a R$ 1,90. “Assim que a alta de grãos estabilizar, a tendência é que os preços caiam, mas não dá para fazer uma previsão de quando isso acontecerá”, explica.
Em outro estabelecimento consultado, houve aumento de R$ 1,00 no preço do tomate entre a semana passada e ontem. Segundo o gerente do supermercado, Jair Barbosa de Lima, um dos motivos é o transporte, uma vez que, quando há problema na região, o produto é retirado do Sul do País.
Na semana passada, o quilo do tomate passou de R$ 1,89 para R$ 2,69 ontem (alta de 42,3%), dia de “sacolão” no local. “O saco de batata subiu R$ 10,00 em uma semana e hoje pago R$ 60,00 por ele”, comenta, sobre o reajuste no preço do produto.