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‘Não existem mais intocáveis’, diz Tarso

Por Gabriela Guerreiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O ministro da Justiça Tarso Genro destacou ontem o trabalho dos agentes da Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, que prendeu terça-feira o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.

A PF investiga suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

Para o ministro, as prisões de terça-feira mostram a disposição do governo de punir todos os envolvidos em irregularidades, mesmo que sejam de classes sociais privilegiadas. “As prisões são um sinal para a sociedade que está acostumada a ver somente pobres indo para a cadeia, sendo retirados de camburões de forma indecente, de que isso está mudando. É determinação do presidente da República. O Estado combate a corrupção independente de suas raízes”, afirmou.

Tarso disse que a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é combater a corrupção “independente de suas raízes”, mostrando que não há mais “intocáveis” no país.

Apesar das reações contrárias às prisões de indivíduos de classes mais privilegiadas, o ministro disse que “não existem mais intocáveis no país, privilegiados, que não são tocados pela lei”. “Isso dá reações, mas temos que encarar com naturalidade.”

Segundo o ministro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado que a PF realizaria a Operação Satiagraha. “Não existe nenhuma operação que o presidente não seja informado a tempo de saber o que vai acontecer.”

O ministro disse que a disposição da PF é investigar todos os envolvidos em atos de corrupção identificados na Operação Satiagraha, mesmo que isso inclua integrantes do PT, como o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP).

Algemas

Tarso se mostrou favorável ao uso de algemas para a prisão de envolvidos em atos de corrupção, desde que o agente policial avalie essa necessidade. Segundo o ministro, o governo não distingue o uso de algemas entre pobres e ricos - embora autoridades tenham criticado a “truculência” da PF durante as prisões de Dantas, Pitta e Nahas.

“O uso de algemas tem que ser avaliado pelo agente. O objetivo é fazer a prisão com segurança. A Polícia Federal não deve ter critério de classe social. Se um cidadão de baixa renda pode ser algemado e nunca ninguém reclamou, se tiver que fazer prisão com algemas, que se faça.”

Sindicância

A PF vai instaurar sindicância para apurar se houve abusos de agentes da instituição durante a Operação Satiagraha, a pedido do ministro Tarso Genro , que pediu hoje a abertura de sindicância e reconheceu abusos na operação, depois das criticas do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, que classificou de “espetacularização” a ação da Polícia Federal.

“O diretor-geral da Polícia Federal [Luiz Fernando Correa] determinou, ao meu pedido, que fizesse sindicância para verificar porque foi violado o manual de instrução da Polícia Federal nesse caso no que se refere ao acompanhamento pela imprensa da operação, expondo pessoas que foram detidas”, disse Tarso.

Segundo o presidente do STF, o “uso de algema abusivo terá de ser discutido” no país.

Na semana passada, Mendes havia dito, no entanto, que o vazamento de informações consideradas sigilosas pela Polícia Federal é “coisa de gângster” e “terrorismo lamentável”.

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