Na opinião dos especialistas, muros altos, cães adestrados, cercas eletrificadas (enfim, tudo o que possa representar um obstáculo à ação dos marginais) são itens que ajudam a aumentar a segurança de uma residência, mas não são garantia de que o morador ficará imune ao crime.
“O ladrão, em geral, irá optar por entrar em locais que ofereçam menor resistência à sua ação. Se chegar a uma casa que possui alarme, preferirá atacar a vizinha que está desprotegida”, explica o delegado aposentado e proprietário de uma empresa de monitoramento e segurança instalada em Bauru, José Jorge Cardia.
Nilson Constantino, que trabalha na empresa como consultor técnico, lembra que, por melhores que os sistemas de defesa possam ser, eles não são inexpugnáveis. “Nosso trabalho é preventivo. Tentamos evitar que o ladrão aja (no caso dos alarmes) ou fazer com que seja punido pelo crime que cometeu (por meio do monitoramento feito através de câmeras filmadoras)”, garante ele.
Um dos problemas enfrentados por aqueles que tentam tornar suas residências imunes aos roubos e furtos é que os criminosos são engenhosos e se adaptam com facilidade às dificuldades que lhe são impostas.
O caso de uma bauruense, professora aposentada que teve a casa invadida dez vezes nos últimos 26 anos, ajuda a dar uma idéia do quanto é difícil escapar à cobiça dos marginais.
Moradora do Jardim América, ela teve a casa furtada, pela primeira vez, em 1982. “Levaram todos meus presentes de casamento”, lamenta. Depois disso, vieram mais e mais invasões, a despeito da residência possuir um muro com cinco metros de altura e contar com dois cães de grande porte (um pastor alemão puro e outro cruzado com doberman).
“Na ocasião, os cachorros sequer latiram”, afirma a mulher, que é professora. Em 2005, ela resolveu instalar uma cerca elétrica na residência e, desde então, os furtos cessaram. “Tem gente que me pergunta por que continuo morando aqui. A questão é que não vou sair de minha casa para viver em apartamento. Outro dia desses, uma amiga minha, que mora em um condomínio de luxo, foi roubada assim que entrou na garagem do edifício”, argumenta ela.
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Descuido?
Na avaliação do consultor de segurança Maurílio Flávio Gamba, muitos bauruenses subestimam o potencial de ação dos criminosos. “Chegará um dia em que quem não souber se cuidar, não conseguirá mais voltar para casa”, avalia ele.
A opinião não é unanimidade entre as autoridades e profissionais que atuam na área. “Existem desde pessoas que não cuidam da própria segurança até aquelas que se preocupam em excesso”, avalia o delegado aposentado e proprietário de uma empresa de monitoramento e segurança instalada em Bauru, José Jorge Cardia.
Na visão do comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), major Nelson Garcia, o fato de empresários e pessoas de grande poder aquisitivo andarem pelas ruas desacompanhados de guarda-costas, é um sinal de que os cidadãos percebem que Bauru é um local tranqüilo.
“Se analisarmos as estatísticas e compararmos a quantidade de ocorrências com o tamanho da população do município, veremos que os percentuais são irrisórios. É lógico que quem sofre algum tipo de violência (não é um mero número, mas sim um ser humano que teve seus sentimentos e a vida abalados”, diz o major.
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Reféns
Autoridades e profissionais da área de segurança lembram que as pessoas não podem viver como reféns em suas próprias residências. “Temos de estar cientes de que a vida se dá fora de casa, e não dentro dela”, lembra o consultor bauruense Maurílio Flávio Gamba.
O comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), major Nelson Garcia, acredita que, na medida em que a sociedade oferecer mais oportunidades às pessoas carentes, elas evitarão se enveredar pelo mundo do crime.
“Atualmente, tem gente na cidade praticando furtos que rendem R$ 10,00 ou R$ 20,00, no máximo. Se essas pessoas tivessem a chance de trabalhar para ganhar seu dinheiro de maneira digna, dificilmente iriam se bandear para o lado da marginalidade”, pensa.
Roubos a ônibus coletivos, por exemplo, dificilmente rendem mais do que R$ 50,00 ao criminoso. Em média, os envolvidos em crimes contra o patrimônio são indivíduos do sexo masculino, com idades entre 13 e 25 anos, explica Garcia.