Mais sensíveis ao inverno, com clima seco e baixas temperaturas, as crianças sofrem mais com as doenças típicas da estação. Com a conjuntivite não é diferente. De acordo com o médico José Roberto Berber, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, a procura pelo Pronto-Atendimento Infantil de crianças com a doença chega a triplicar nesta época do ano. Para evitar essa “epidemia de inverno”, médicos aconselham cuidado redobrado com a higiene.
“No inverno, a procura pelo Pronto-Socorro, tanto adulto quanto infantil, aumenta 30%. Nas duas primeiras semanas de julho, o movimento foi 50% maior que o normal”, observa Berber. Ele explica que o frio e a baixa umidade relativa do ar, agravada pela poluição e queima da palha da cana-de-açúcar, são os responsáveis pelo aumento da demanda nas unidades de urgência e emergência de Bauru.
“Com isso, chegam as viroses, que se instalam nas vias aéreas e conjuntivas, e chegam a triplicar os casos”, observa. A conjuntivite é uma inflamação produzida na conjuntiva - membrana fina e transparente dos olhos -, que reveste o globo ocular e a parte de dentro das pálpebras. O oftalmologista Marcelo Crivelari Creppe informa que as conjuntivites podem ser bacterianas, alérgicas ou virais. Ele explica que a viral é conhecida pela irritação, vermelhidão e pela sensação de areia nos olhos. Já a bacteriana, além desses sintomas, vem acompanhada por uma secreção amarelada. Esses dois tipos são contagiosos.
Já a alérgica não passa de uma pessoa para a outra, mas também é bastante comum em Bauru, por conta do ar seco e carregado de poluição. Ela ocorre em pessoas que têm predisposição a alergias, como quem tem rinite ou bronquite, por exemplo.
Creppe ressalta que a conjuntivite não se transmite pelo ar. “É pelo contato, principalmente pelas mãos”, explica. Por isso, ele recomenda a ficar bastante atento ao uso de computador, mouse, controles remotos e outras coisas, como canetas, interruptores de luz. Se uma pessoa com conjuntivite tocou estes objetos, é melhor fazer uma higienização com álcool antes de manuseá-los.
O especialista informa que um tipo de conjuntivite viral está fazendo muitas vítimas na cidade. De acordo com Creppe, o paciente com ceratoconjuntivite adenoviral leva até 21 dias para melhorar, enquanto os com outros tipos da doença já apresentam evolução depois de cinco dias. “Ela demora para ir embora. A pessoa está com resistência baixa e continua esfregando os olhos. É como se pegasse uma conjuntivite e em seguida, uma complicação do quadro”, diz.
Apesar de ser uma praga de inverno, a conjuntivite também ocorre muito no começo do verão. O médico observa que as pessoas se expõem a situações de contágio. “Podem pegar uma piscina que não está bem tratada. Ou uma família que vai à praia e leva somente uma toalha de rosto”, pondera.