Bauru já tem mais cursos de pós do que de graduação (sem contabilizar os cursos a distância). Conforme levantamento do JC, são 166 contra 146. As especializações compõem a maioria dos cursos oferecidos a quem já é formado. O número total também contempla os mestrados, que são 15 na cidade, além de seis doutorados. Recentes, alguns deles ainda estão em processo de maturação.
“É um número grande para cidade do porte de Bauru. Mas pela localização, poderia ter mais, porque a cidade é um centro. Abrange raio grande de municípios”, diz a doutora na área de educação, Vera Casério, ao referir-se ao total de mestrados e doutorados. Professora e coordenadora da Faculdade Anhanguera e diretora do Colégio Fênix, ela também é avaliadora dos cursos de pós-graduação pelo Conselho Estadual de Educação e Ministério da Educação (MEC).
Embora ressalte a diversidade dos cursos oferecidos, aponta lacunas na área de humanas. “Acho que faz muita falta para Bauru mestrado na área da educação”, comenta. Ainda assim, a diversidade também é apontada como grande vantagem para Bauru pelo doutor Paulo César Rodrigues Conti, professor associado do departamento de prótese da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Universidade de São Paulo (USP).
Ele também é vice-presidente da comissão de pós da instituição. “Temos exatas, humanas, biológicas. Bauru pode ser considerado um pólo educacional dentro do Interior de São Paulo. Se produz muita ciência boa aqui”, comenta, ao referir-se aos cursos da FOB, já tradicionais. No entanto, ele admite que alguns cursos strictu sensu (mestrado e doutorado) mais novos oferecidos na cidade, ainda carecem de projeção internacional de peso.
Década
“Há uma exigência mínima para constituir um mestrado e posteriormente um doutorado, e esse tempo de maturação vem ocorrendo agora. Do ponto de vista do número de faculdades, Bauru tem sua importância. Do ponto de vista do desenvolvimento científico regional, acho que nós ainda vamos oferecer mais nos próximos dez anos”, comenta Celso Zonta, doutor em psicologia social e professor do departamento de psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Ele ainda é avaliador institucional do MEC e fez menção aos cursos strictu sensu, além de referir-se principalmente aos cursos da Unesp. Pensa de forma semelhante Sérgio Catanzaro Guimarães, coordenador do programa de pós-graduação em biologia oral (nível mestrado e doutorado) da Universidade do Sagrado Coração (USC). “Muitos são recentes, dependem de maturação”, reitera.
No entanto, comemora a nota 4 obtida pelos cursos da USC, que têm cerca de dois anos. “Numa instituição particular, a avaliação é grandiosa”, afirma. Ainda assim, as pesquisas não provocam forte impacto no desenvolvimento da região, enfatiza Zonta. “Mas temos doutores no câmpus da Unesp de Bauru com expressão nacional e internacional, com muitas publicações em revistas internacionais, com artigos de impacto significativo no meio científico. Mas não estamos ainda na totalidade do potencial”, conclui.
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Obsoleto
Num período muito recente, em cerca de quatro a cinco anos, a maioria dos conhecimentos científicos fica obsoleta, especialmente em algumas áreas, como a médica.
“Hoje, o fenômeno de universidade sofreu uma mudança brutal. Não basta, como na minha época, a graduação. Hoje não dá, por várias razões. Uma delas é que a tecnologia cresceu muito”, comenta Sérgio Catanzaro Guimarães, coordenador do programa de pós-graduação em biologia oral da USC. De acordo com ele, em pouco tempo é impossível dotar um aluno de conhecimento e deixá-lo atualizado.
Para Guimarães, Bauru é um grande centro em lato sensu, expressão em latim que significa sentido amplo. Os cursos de especialização são lato senso e independem de autorização do MEC para funcionar, desde que sejam oferecidos por instituições já credenciadas pelo ministério. É diferente do strictu sensu, cuja avaliação da Capes não pode ser inferior a três. Neste caso, o curso fecha.
“O lato senso não precisa passar pelo MEC, mas de certa forma os cursos estão subordinados às associações de classe. Só tem valor se a associação de classe o reconhece”, finaliza Guimarães.