Regional

Pesquisa comprova: cresce o uso de drogas no campo

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Pesquisa informal desenvolvida pelo psicoterapeuta Edson Aparecido Barbosa, na unidade da Casa Dia de Jaú, indica o aumento do consumo de drogas por trabalhadores rurais da microrregião de Jaú (47 quilômetros de Bauru).

“É uma pesquisa informal. Um levantamento nosso em que, de cada seis pessoas, três que estão nos procurando são trabalhadores rurais”, revela Barbosa, que ajuda na recuperação de dependentes químicos hospedados na Casa Dia de Jaú.

Segundo o psicoterapeuta, o aumento do consumo de drogas por trabalhadores rurais pode estar relacionado ao fato de que, na microrregião de Jaú, existem muitos cortadores de cana. A região é uma das maiores do Estado na produção da cana-de-açúcar.

Pode ser devido ao fato da região ser canavieira e pelo crack ser uma droga barata e estar chegando ao canavial”, confirma Barbosa. O argumento usado pelos usuários seria a tentativa de aliviar as sensações de dor e cansaço da lida na roça.

Barbosa lembra que há cerca de uma década os trabalhadores, na faixa etária entre 30 a 40 anos, tinham problemas de alcoolismo e o perfil, agora, teria mudado. “Eles bebiam e trabalhavam igual loucos. Hoje, a faixa etária é de 20 a 30 anos e chegam a ter alguns de 18 anos no uso do crack”.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mineiros do Tietê, Eduardo Porfírio, o Polaco, explica que não há dados concretos sobre o uso de entorpecentes por trabalhadores rurais. No entanto, segundo ele, a existência do problema é uma realidade.

“Nós sabemos que a droga está afetando até mesmo o pessoal do corte de cana. Só que, na lavoura, no corte do dia-a-dia, é mais difícil usar porque a fiscalização, tanto da empresa quanto do Ministério Público, tem sido intensiva”, comenta. Ele lembra que o uso ocorre, normalmente, fora do horário de trabalho.

Barbosa ressalta que a Casa Dia tem o objetivo de desintoxicar os dependentes químicos e fazer o tratamento. Segundo ele, conforme o caso, a desintoxicação física é feita entre 90 a 180 dias sem uso de medicação. “A Casa Dia também faz um pós-tratamento, que pode durar até três anos”, completa.

Atualmente, a Casa Dia atende 20 pessoas. A unidade é mantida com a ajuda de familiares dos dependentes. Pelo menos 30% das vagas são destinadas para quem não tem condições financeiras. “O objetivo é a filantropia mesmo, ajudar o próximo”, diz Barbosa.

A Casa Dia de Jaú é uma das 35 unidades da rede de assistência aos dependentes químicos existente em todo o Brasil. A unidade de Jaú está localizada na rua Marechal Bitencourt, 5-91, Centro. Outras informações pelostelefones (14) 3621-1429 e 9777-0473 (com Edson). Ou ainda através dos sites: www.casadiajau.org e www.clinicamanster.com.br

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