Buenos Aires - O governo argentino dava por garantida ontem à noite a aprovação no Senado por apenas dois votos de diferença de seu projeto de lei que determina o aumento de impostos sobre a exportação de grãos, o mesmo que gerou o atual conflito com o campo.
Mas a vitória oficialista significaria quase uma derrota para o governo, já que representa uma fragmentação de sua base de apoio. Antes da crise, o oficialismo tinha 42 entre os 72 senadores. Segundo o chefe-de-gabinete do governo, Alberto Fernández, o governo teria garantido, ontem à noite, uma maioria mínima de 37 votos a favor para aprovar o projeto.
A votação do aumento de alíquotas pelos senadores, após um dia inteiro de debates, estava prevista para acontecer por volta da meia-noite e, apesar de o governo confiar na vitória, até as 21h, os dois lados continuavam a contar as intenções de votos. Na Câmara de Deputados, onde o governo também costumava ter maioria folgada, a aprovação foi confirmada por apenas sete votos de diferença, e a situação é acusada pela oposição de comprar votos.
O debate no Senado aconteceu um dia depois dos grandes atos em que o governo e os ruralistas, com apoio da oposição, reuniram dezenas de milhares de pessoas em Buenos Aires para pressionar os senadores.
O projeto que determina o aumento de impostos foi anunciado pela Casa Rosada em 11 de março e provocou uma crise que ontem completou 127 dias.
Nesse período, aconteceram quatro locautes ruralistas, bloqueios nas estradas, desabastecimento nas cidades e queda na popularidade da presidente, Cristina Kirchner, que viu membros da oposição e de sua base de apoio se unirem em torno da causa do campo.
Muitos deputados, senadores e governadores peronistas, principalmente os que têm base de apoio no campo, preferiram se posicionar a favor de seus eleitores do que ao lado de um governo impopular.
Se a medida do governo for aprovada, será convertida em lei. Se for reprovada, os senadores devem debater outros quatro projetos apresentados pela oposição. Em caso de empate, quem decide é o vice-presidente, Julio Cobos, também presidente do Senado, que entrou em conflito com o governo por debater o tema com ruralistas e oposição.