Turismo

Cruzeiros marítimos

Por Dulce Turtelli * | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

“Na década de 70 fiz um cruzeiro para o Uruguai e Argentina com meu esposo, Armando. O navio era um dos menores da línea C.: o Andréia. O número de passageiros não passava de 600. Havia somente um restaurante, com dois turnos para as refeições.

Escolhido o horário, já era designado o número da mesa que seria ocupada durante toda a viagem e os passageiros que iriam dividi-la ( para quatro pessoas). Era bom porque nos dava a oportunidade de fazer novas amizades (conhecemos Maria Helena e sua amiga e chegamos a visitá-la em Belém).

A programação das atividades do dia era impressa em cartolina decorada com aquarelas da riviera italiana e paisagens de belas regiões da Itália. As diversões a bordo eram o dia todo, com o comandante sempre presente.

Nas refeições era uma honra ser chamado para fazer parte de sua mesa. A decoração era diferente em cada refeição e a tripulação, a cada dia, mudava de uniforme. A boutique era uma tentação, com seus chocolates italianos, suas jaquetas coloridas... Bebidas importadas sem pagar tarifa. E legal.

Fazíamos parte do primeiro turno das refeições e após o jantar lá estávamos no salão de festas para ouvir música e ver os que estavam dançando.

As brincadeiras eram uma atração à parte, muito criativas. À meia-noite, no convés, era servida a ceia do comandante. Um ritual: com os pratos mais sofisticados sendo servidos pelo comandante aos passageiros, que se sentiam orgulhosos de participar do evento.

Foi nesse navio que Armando começou a dançar. Uma noite, após o jantar, estávamos no salão de festas ouvindo música, quando ele me convidou para dançar. E, muito admirada, disse: Como? Se você não sabe dançar? E ele: “vamos dançar”. Ele acompanhava o ritmo, como um bom dançarino, tinha 60 anos e desse dia em diante não perdeu mais nenhum baile. Havia muitas brincadeiras e bordo e até a tripulação, toda italiana, participava. Cada um improvisava sua fantasia.

Primeiro destino

Nosso primeiro destino: Montevidéu, onde ficamos três dias. Fomos a Punta de Leste de ônibus (o mar não estava em condições do navio ancorar). Naquela época, Punta estava em pleno apogeu e, com seus cassinos funcionando, era a atração dos turistas.

Muitos brasileiros tinham casas em um bairro de poucos privilegiados. Em terra fazíamos passeios e compras. A parada seguinte foi Buenos Aires, cidade de gente que se considera superior, era chamada de Suíça das Américas.

A Argentina esnobava os brasileiros, continua atraente para os brasileiros que sempre a procuram nas férias. O país estava em pleno desenvolvimento. Buenos Aires era uma cidade com muito verde, florida e limpa. Os homens trabalhavam de terno e gravata. Muitos eram os passeios em terra, suas casas de tango e bairros típicos como a Boca, nos arredores do cais onde jantamos. Nesse jantar foram homenageados, o mais idoso, o mais jovem, um casal em lua- de-mel.

A tripulação italiana, muito atenciosa, participava de toda movimentação dos passageiros, com brincadeiras e gincanas. Havia missa todas as tardes rezada pelo capelão de bordo, num altar improvisado no teatro.

Os turistas em menor número, com uns poucos privilegiados tinham condições de fazer a viagem. Hoje com os navios maiores transportando maios passageiros, tornaram os preços mais baratos, favorecendo um número maior de turistas.

*Dulce Montenegro Turtelli é formada em belas artes e artes plásticas pela Fundação Educacional de Bauru.

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