Todos nós, de uma forma ou de outra, já tivemos a oportunidade de conhecer e conviver com seres humanos fantásticos, pessoas que indelevelmente marcaram nossas vidas, nosso cotidiano, muitas vezes na simplicidade e na singeleza de seu ser. São pessoas especiais, porque embora vivam em um mundo conturbado conseguem fazer da convivência humana um oásis de ternura, carinho e sobretudo de acreditarem na esperança de dias melhores, dentro da realidade humana em que está colocada. Muitas vezes tiveram que passar por testes difíceis em que suas crenças, seus valores e os ideais foram colocados a prova. Porém, o seu desejo, sua força interior em manter a dignidade de ser humano íntegro e probo sempre será o seu norte, a sua bússola de vida! E é por isso que marcam nossa vidas com o seu exemplo e testemunhos.
Pessoas que não freqüentaram universidades, mas suas vidas são marcadas pela sabedoria, cujas lições mais eloquentes encontram-se dentro de suas famílias, como também nos diversos círculos humanos que freqüentaram em sua existência. Pois bem. Assim foi Native Daniel Camaforte, a quem eu chamava carinhosamente de Mano Velho, pois foi o irmão mais velho que a vida me concedeu, uma vez que na minha família consanguínea sou o primogênito. Nosso conhecimento e batismo de fé nasceu após o Cursilho de Cristandade de nº 62, realizada em Bauru em julho de 1979.
Suas duas colunas de vida eram sua família e a Igreja, sua razão de ser, sua fé inquebrantável. Dos exemplos de conversão que conheci até hoje, o seu foi o mais forte, o mais autêntico, pois a esse respeito costumava dizer que o processo de mudança ou conversão de vidas poderia se dar por duas circunstâncias: tradição religiosa ou pelo Kerigma, pela Palavra de Jesus, que uma vez entendida penetrava no interior dos corações humanos, mudando de maneira indelével e definitiva a vida da pessoa, comparando a mamona que uma vez madura, arrebenta e explode a semente para fora de sua casca, portanto de dentro para fora.
Nesses trinta dias de seu passamento, muita coisa, muitos fatos povoam nossas mentes e creio que sempre estarão presentes entre nós, principalmente em relação a convivência amorosa, terna e profunda com a Maria, Native Paulo, Beto, Daniel e Fátima. Aqui em casa nunca esqueceremos o carinho, desvelo e ternura que tanto você Mano Velho como a Maria trataram toda a nossa família em momentos tão difíceis como foi o da Raquel. Temos a certeza de que a Raquel o recebeu alegremente na mansão do Pai com aquele “oi seo Native, você já chegou? Vamos festejar!
Nunca esqueceremos tampouco aquele Natal que passamos em Iguape, na Ilha Comprida, onde por falta de condições não pudemos ir a uma Igreja, mas que na simplicidade da mensagem do Evangelho partilhamos com um vizinho a Festa do Nascimento de Jesus! Que felicidade! Que ventura! Mano Velho. O coração está apertado. Não dá para segurar. Você foi de maneira muito rápida, aliás como era o seu estilo e sua maneira de ser. Talvez assim foi melhor. O melhor de você entre nós foi a convivência, as piadas, o seu olhar alegre e próprio após uma tragada do cigarro. Tenho a impressão que você já está organizando alguma coisa por aí na mansão celeste. Como Daniel na cova dos leões, você marcou muito neste mundo. Deus o tenha e recompense por tudo. Seus irmãos Toninho, Teresinha e Família.
Antonio Carlos Pinto de Arruda