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Hipótese é que visão dos egípicios era lateralizada

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O professor Sérgio Bussato acredita que os egípcios possuíam uma visão lateralizada. Enquanto uma pessoa comum enxerga as mesmas informações visuais com os dois olhos, de forma centralizada, o povo do Egito antigo teria campos diferentes para cada vista. E na área vista comum pelos dois olhos, se formava uma imagem diferente, construída pela sobreposição de dois campos da ilustração. “Nessa área, acontecem cenas tridimensionais que existem na própria arte deles. Por isso eles cultuavam o falcão, um animal que possui a visão completamente lateralizada”.

Ao fazer a sobreposição, os dois pares de braços que parecem perdidos na imagem original – detalhe que intrigou Busato desde a primeira vez que observou a ilustração – se juntam aos corpos dos deuses. “Se eles piscassem, isso criava um certo efeito de animação e nós temos uma outra leitura. E isso é muito interessante porque muda o sentido da história”.

“Você percebe que a placa está incentivando o casamento de egípcios e núbios. Esses deuses eram um modelo para o povo. Os egípcios perseguiam a estabilidade e isso era atingido quando o Alto Egito e o Baixo Egito estavam em paz”. E esse casamento de Alto e Baixo Egito – representados respectivamente por Hórus e Hathor - era uma maneira de assegurar a paz. “A mensagem é de tolerância, duas culturas diferentes e opostas se miscigenando para gerar uma nação unida. Um modelo que precisa ser seguido para se alcançar a paz e a estabilidade”, diz o professor.

“Com a nova técnica, você recupera a forma original que eles viam. Assim, a leitura não tem como não ser diferente. Por exemplo: ali se falava de um casamento e você não via o que realmente eles processavam e viam nos seus cérebros. A visão deles é quase como se fossem estrábicos para fora. E com base nisso, eles faziam seus desenhos”, explica.

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Doutorado

Aproveitando a viagem à Europa, Sérgio Busato visitou o Museu Britânico e o Museu do Louvre, na França. Fotografou outras placas e também múmias egípcias para próxima pesquisa, que tem como objetivo descobrir se a visão lateralizada era cultural ou fisiológica. Para isso, ele revela que irá estudar crânios de múmias.

Nas primeiras imagens observadas, já fez algumas constatações. Ele percebeu um aprofundamento nos ossos dos olhos, na parte lateral externa dos crânios das múmias. “Não é igual aos outros crânios. Os normais são arredondados, os deles são aprofundados”, destaca.

A própria imagem escolhida aponta isso, explica Busato. A deusa núbia Hathor possuía visão normal e tinha como representante animal, um galgo, com um focinho fino e visão também centralizada. Já o deus egípcio Hórus possuía visão lateralizada e era representado pelo falcão. Além disso os elmos de cada um deles também mostravam essa diferença.

Para aprofundar sua pesquisa sobre a fisiologia dos egípcios, Busato fez contato com pesquisadores brasileiros que trabalham com raio-x de múmias. E ele garante que toda a descoberta está relacionada ao design.

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